O que Flávio Bolsonaro foi fazer na Casa Branca? A resposta simples: foi atrás de uma fotografia. A completa: foi tentar mudar a pauta desfavorável da mídia, receber a bênção de Trump, o grão-sacerdote da nova direita mundial, reanimar a base com o tema da repressão ao crime, dar um verniz internacional a uma pré-candidatura desacreditada e mostrar que não é só Lula quem tem acesso ao governo americano.

A foto com Trump não resolveu seus problemas jurídicos ou as explicações que deve sobre o caso Master, mas foi um recurso extremo para estancar a sangria de sua popularidade e manter sua candidatura respirando.

Em política nem sempre se responde a um escândalo com explicações. Muitas vezes tenta-se responder com outro enredo. Sai de cena o candidato constrangido por perguntas incômodas, entra o homem recebido por Trump, supostamente para falar de crime organizado e terrorismo.

Para a base bolsonarista, a operação faz sentido. Trump não é apenas o presidente dos Estados Unidos. É o patriarca da nova direita, o restaurador imaginário de uma justiça que as instituições nacionais já não podem oferecer. Quando um Bolsonaro aparece ao lado dele, a mensagem à militância é quase sacramental: se o líder do Ocidente nos reconhece e nos escuta, as mesquinhas acusações locais não importam.