Um estudo do Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo (Ibevar) em parceria com a FIA Business School mapeou como o caso Banco Master vem sendo associado, na cobertura jornalística, a termos de carga negativa antes de uma eventual delação premiada de Daniel Vorcaro, controlador da instituição. Intitulado “Este é o Dano Sem a Delação. Imagine Com!”, o levantamento identificou 981 associações entre o banco ou Vorcaro e palavras como fraude, crise, rombo, colapso, calote, desconfiança e risco de crédito. O trabalho, feito com ferramentas de processamento de linguagem natural (PLN), buscou medir o enquadramento do caso na mídia até agora e avaliar como essa exposição poderia ser ampliada caso uma delação venha a ocorrer. Segundo Claudio Felisoni de Angelo, presidente do Ibevar e professor da FIA Business School, o estudo mede a forma como o Banco Master e Vorcaro aparecem associados a determinadas dimensões de risco e desgaste na cobertura jornalística. “Você tem duas palavras âncoras, Banco Master e Daniel Vorcaro, e define dimensões. Depois, o sistema avalia como essas palavras aparecem associadas nas notícias”, disse Felisoni. “A associação de alta relevância ocorre quando essas palavras aparecem nos títulos com termos ligados a uma certa dimensão. Na média relevância, a palavra-chave aparece no título, mas o termo relacionado está no corpo da matéria.” Segundo o estudo, 354 associações apareceram em títulos de matérias, classificadas como de alta relevância, enquanto 627 estavam no corpo dos textos, consideradas de média relevância. Para os autores, a presença desses termos no corpo das reportagens indica que parte da narrativa negativa sobre o caso ainda pode ganhar mais destaque em manchetes, a depender dos desdobramentos das investigações. O estudo organizou as menções em cinco dimensões: instabilidade e risco do sistema financeiro, colapso institucional e perda de confiança, ilicitude e responsabilização, magnitude do dano e deterioração macroeconômica. Entre os termos monitorados estão palavras como volatilidade, incerteza, inadimplência, calote, provisão, liquidez, insolvência, rombo, prejuízo, fraude e investigação. Na avaliação de Felisoni, os resultados indicam que o caso deixou de ser tratado apenas como um problema corporativo e passou a aparecer associado, na mídia, a temas ligados à confiança nas instituições. “O Brasil, neste momento, não está apenas julgando um banco. Está julgando a qualidade de suas instituições”, afirmou. A coleta considerou conteúdos disponíveis em portais aos quais os pesquisadores tiveram acesso, incluindo veículos nacionais e alguns internacionais, como BBC e CNN. Felisoni disse que a maior parte da amostra é composta por imprensa nacional, mas o estudo não separou os resultados por origem da cobertura. O levantamento foi feito com base no conteúdo disponível até 28 de maio. O estudo também compara o caso com episódios como Lava-Jato, mensalão, Banestado, Marka e FonteCindam. A leitura dos pesquisadores é que, diferentemente de escândalos mais associados a projetos políticos ou a operações no setor público, o caso Banco Master teria como centro uma estrutura financeira privada e seus efeitos reputacionais sobre instituições citadas na cobertura. O levantamento, no entanto, mede a associação de termos na cobertura de mídia e não quantifica, por si só, impactos econômicos diretos ou efeitos sobre indicadores de mercado. A equipe técnica do projeto é formada por Claudio Felisoni de Angelo, Nuno Manoel Martins Dias Fouto, Marcelo Figueira Jr. e Arthur Siqueira Ferrari. Claudio Felisoni de Angelo, presidente do Ibevar — Foto: Reprodução/LinkedIn