O Canadá enviou nesta terça-feira uma carta aos Estados Unidos e ao México apresentando suas recomendações para renovar por mais 16 anos o acordo comercial trilateral, ao mesmo tempo em que propõe negociações paralelas sobre tarifas setoriais antes de uma reunião entre negociadores comerciais canadenses e americanos prevista para mais tarde no mesmo dia. O ministro responsável pelo comércio entre Canadá e EUA, Dominic LeBlanc, se reunirá com o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, depois de o Canadá ter ficado de fora das negociações comerciais bilaterais realizadas entre EUA e México na semana passada. A principal negociadora comercial canadense para assuntos relacionados aos EUA, Janice Charette, o acompanhará. O primeiro-ministro canadense, Mark Carney, tem procurado diversificar o comércio e construir novas alianças globais, mas a economia canadense continua fortemente dependente dos EUA: quase 70% das exportações do país têm como destino o mercado americano. “O processo de Revisão Conjunta nos oferece uma oportunidade para avaliar o acordo e verificar se existem maneiras de fortalecê-lo, além de identificar possíveis melhorias necessárias para acompanhar as mudanças nas condições econômicas”, afirma a carta. O documento também destaca que, paralelamente à revisão do Acordo EUA-México-Canadá (USMCA), será essencial abordar a questão das tarifas setoriais. Os EUA impuseram tarifas sobre aço, alumínio e automóveis, medidas que prejudicaram a economia canadense. O Canadá enviou a carta um dia depois de o ministro da Economia do México, Marcelo Ebrard, reiterar o apoio do país à extensão do acordo comercial trilateral, ressaltando a importância de “oferecer segurança aos investidores que buscam a força do nosso mercado”. A posição do México é “buscar acordos que beneficiem as três nações com respeito mútuo e consenso”, escreveu Ebrard em uma carta enviada a Greer e LeBlanc, interpretada amplamente como um apoio à participação do Canadá nas negociações. Canadá é criticado por lentidão Esta será a segunda reunião entre LeBlanc e Greer. O primeiro encontro ocorreu em março, embora os dois tenham mantido contatos telefônicos ocasionais desde então, inclusive na semana passada, segundo o governo canadense. Empresas têm criticado o Canadá por ter demorado a iniciar o processo de revisão do USMCA — que precisa ser oficialmente concluído até 1º de julho — enquanto o México adotou uma postura mais proativa no diálogo com o governo americano. Trump suspendeu todas as negociações com o Canadá no final do ano passado, após a província de Ontario exibir uma propaganda com o ex-presidente americano Ronald Reagan alertando que tarifas levam a guerras comerciais. “Em relação às discussões com os EUA, há uma série de questões técnicas que eles têm com o México e também conosco, razão pela qual existe uma negociação em duas frentes”, declarou Carney a jornalistas nesta terça-feira. Durante um discurso em Nova York na semana passada, Carney afirmou que uma economia canadense mais forte também contribuiria para o crescimento dos EUA. “Um Canadá forte ajudará a tornar a América grande novamente”, disse ele, recebendo um raro elogio do embaixador americano no Canadá. Os EUA e o México concluíram na semana passada sua primeira rodada de negociações bilaterais sobre a revisão do USMCA. Segundo o escritório do representante comercial americano, foram discutidas regras de origem para a indústria automotiva, comércio de aço e alumínio e questões de segurança econômica. Caso os três países não concordem com a extensão do acordo, ele passará a ser submetido a revisões anuais até 2036. Greer já indicou que o Canadá poderá ter de aceitar algumas tarifas caso deseje participar da revisão do acordo em conjunto com os EUA. Ele também afirmou que a versão revisada do tratado deve incluir regras de origem mais rigorosas para automóveis e proporcionar maior acesso ao mercado canadense para empresas americanas, especialmente no setor de laticínios. As restrições impostas por províncias canadenses à venda de bebidas alcoólicas produzidas nos EUA também têm sido fonte de atrito com o governo americano.
Canadá propõe renovar por mais 16 anos acordo comercial com EUA e México
País também propõe negociações paralelas sobre tarifas setoriais antes de reunião com americanos











