Em um mercado já pressionado pelas idas e vindas da guerra entre Estados Unidos e Irã, a ameaça de Washington de impor tarifas de 25% sobre produtos brasileiros adiciona mais uma camada de incerteza aos ativos domésticos nesta terça-feira. Apesar do potencial de impacto sobre o câmbio, a bolsa e o setor exportador no curto prazo, a experiência do primeiro tarifaço do presidente Donald Trump sugere um efeito mais contido sobre os mercados locais, uma vez que grande parte das empresas afetadas não está no Ibovespa e diversas mercadorias foram incluídas na lista de exceções. Segundo o jornal O Globo, o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) avalia que determinados atos, políticas e práticas adotados pelo governo brasileiro são "irrazoáveis" e "oneram ou restringem" o comércio americano. O órgão apresentou uma série de medidas consideradas corretivas e estabeleceu 15 de julho como prazo para uma eventual aplicação, data em que a investigação completará um ano. O alcance da medida, porém, é atenuado por uma extensa lista de isenções, detalhada em 73 páginas do documento. Permaneceriam fora das tarifas desde produtos agrícolas, como café, chá, frutas e cereais, até itens de maior valor agregado, como aeronaves brasileiras, componentes aeronáuticos, produtos farmacêuticos, químicos orgânicos e fertilizantes. Nesse contexto, os investidores devem monitorar os reflexos dessas incertezas sobre os ativos locais, mas as atenções permanecem divididas entre o Brasil e o Oriente Médio. Em mais uma rodada de mensagens contraditórias, Trump afirmou que as negociações com o Irã seguem em andamento, enquanto Teerã declarou ter suspendido as conversas indiretas com Washington para encerrar as hostilidades. O cenário aponta para uma sessão de cautela nos mercados globais, com os investidores reagindo a cada novo desdobramento das negociações. Por volta das 8h, o petróleo tipo Brent com vencimento em agosto cedia 1,33%, cotado a US$ 93,73 por barril em Londres, enquanto o WTI com entrega prevista para julho caía 1,23%, a US$ 91,03 por barril em Nova York. Em Wall Street, o futuro do S&P 500 perdia 0,17%, do Dow Jones recuava 0,38% e do Nasdaq cedia 0,18%, ao passo que, na Europa, o Stoxx 600 tinha alta de 0,69%. Na agenda de indicadores, o principal destaque do dia é o relatório Jolts, que traz os dados de abertura de vagas de trabalho nos Estados Unidos em abril. Os números serão acompanhados de perto pelos investidores em meio à avaliação de como a escalada dos preços de energia decorrente do conflito no Oriente Médio pode afetar a inflação e, consequentemente, a trajetória dos juros americanos. — Foto: Nicholas Cappello/Unsplash