Cinco organizações juntaram-se para criar, nesta terça-feira, uma rede que pretende ajudar quase 3500 jovens que não estão a trabalhar nem a estudar a integrar o mercado de trabalho, anunciou a instituição fundadora."Com a criação da Rede Empregar, será possível, em conjunto, apoiar o emprego ou a qualificação de 3438 jovens que não trabalham, não estudam e nem frequentavam qualquer formação, conhecidos como geração "Nem-Nem", participantes em 43 projectos, em todo o território nacional", refere a Fundação Calouste Gulbenkian, em comunicado.A Rede Empregar é "uma coligação de pessoas, organizações e projectos que se dedicam à empregabilidade dos jovens, particularmente dos jovens mais vulneráveis, que têm maiores necessidades ou maiores dificuldades na integração no mercado de trabalho", disse Pedro Cunha, gestor da Gulbenkian Empregar — iniciativa a partir da qual nasce a Rede Empregar e que já apoia 14 projectos de qualificação e empregabilidade de jovens em situações de maior vulnerabilidade.A "Incorpora", da Fundação "la Caixa", a "Afirma-te já", do Instituto Português do Desporto e Juventude, o Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP) e a Fundação BNP Paribas são os restantes projectos e organizações envolvidos.Pedro Cunha afirma que a rede pretende apoiar jovens até aos 34 anos que já acabaram o curso e continuam desempregados, que interromperam as suas formações e não conseguem arranjar trabalho, que acabaram por se deixar desmotivar e nem estão à procura de um emprego e também aqueles com trabalhos precários, "de curta duração tipicamente mal remunerados", entre outros casos.O responsável destacou que "não há uma fórmula mágica e rígida" para trabalhar com os jovens. Por isso, os projectos da rede "têm abordagens muito diferentes umas das outras", a exemplo de uma iniciativa que visa a formação profissional de jovens imigrantes."Temos abordagens muito viradas para a formação profissional. Por exemplo, temos um projecto em Setúbal que trabalha particularmente com comunidades migrantes da Ásia, para que tenham uma integração rápida no mercado de trabalho", explicou Pedro Cunha.Segundo o responsável, estão ainda a decorrer projectos em que os jovens podem deslocar-se para outra zona do país para desenvolver competências e criarem negócios."Temos projectos na área da música, por exemplo, que a partir da música urbana e das novas expressões artísticas mobilizam jovens que vivem situações sociais muito desafiantes a criarem o seu próprio negócio e alguns deles a integrarem percursos de formação e de qualificação profissional", indicou o responsável.Outro dos objectivos da rede é que os projectos possam "influenciar de alguma maneira a política pública". "Isto pode perfeitamente ser alavancado, divulgado, alargado para todo o país", acrescentou.A cerimónia de criação da Rede Empregar decorre hoje à tarde na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.A percentagem de jovens dos 15 aos 29 anos que, em Portugal, não trabalhavam, não estudavam nem frequentavam qualquer formação, conhecidos como jovens "nem-nem", caiu para de 9%, segundo dados do Eurostat relativos a 2025 divulgados em Maio. Na União Europeia a percentagem é de 11% na União Europeia.