Organização Meteorológica Mundial prevê episódio ao menos moderado e diz que fenômeno pode agravar secas, chuvas intensas e ondas de calor no planeta ONU vê 80% de chance de El Niño entre junho e agosto, com possibilidade de eventos climáticos extremos — Foto: Cristiano Mariz/ gência O Globo RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 02/06/2026 - 05:56 OMM Prevê 80% de Chance de El Niño com Impactos Globais em 2026 A Organização Meteorológica Mundial (OMM) alerta para uma chance de 80% de ocorrência do fenômeno El Niño entre junho e agosto de 2026, com potencial para eventos climáticos extremos, como secas e ondas de calor. A previsão é de que o episódio seja "ao menos moderado" e persista até novembro. O fenômeno, que aquece águas do Pacífico, pode impactar globalmente, com temperaturas acima da média e riscos regionais. António Guterres, da ONU, destaca a urgência climática e a necessidade de reduzir a dependência de combustíveis fósseis. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A Organização Meteorológica Mundial (OMM) alertou nesta terça-feira que há 80% de probabilidade de formação de um episódio de El Niño entre junho e agosto de 2026, cenário que amplia o risco de fenômenos meteorológicos extremos em diferentes regiões do planeta nos próximos meses. Em sua atualização mais recente, a agência vinculada à ONU prevê um episódio "ao menos moderado, e até mesmo forte" do fenômeno climático. "Há uma probabilidade de 80% de que se estabeleça um episódio de El Niño entre junho e agosto de 2026", afirmou a OMM em nota. A organização estima ainda que as chances de o fenômeno persistir pelo menos até novembro estejam em torno ou superem 90%. El Niño e sua fase oposta, La Niña, correspondem a uma variação natural do clima associada a mudanças na temperatura das águas do oceano Pacífico equatorial. O fenômeno altera a circulação atmosférica global e pode desencadear eventos extremos em diversas partes do mundo. Segundo a OMM, entre o fim de abril e meados de maio, a temperatura da superfície do mar na região centro-oriental do Pacífico equatorial se aproximou dos níveis que caracterizam o El Niño. O aquecimento foi impulsionado por temperaturas "excepcionalmente elevadas" abaixo da superfície, que superaram em mais de 6ºC as médias sazonais. "Devemos nos preparar para um episódio de El Niño potencialmente poderoso, que agravará a seca e as chuvas intensas e aumentará o risco de ondas de calor tanto nas áreas terrestres quanto nos oceanos", advertiu a secretária-geral da OMM, Celeste Saulo, em comunicado. O El Niño se caracteriza pelo aumento das temperaturas superficiais no centro e no leste do Pacífico equatorial. O fenômeno costuma ocorrer a cada dois a sete anos e dura entre nove e doze meses. O episódio mais recente, entre 2023 e 2024, contribuiu para transformar esses anos nos dois mais quentes já registrados. OMM prevê calor acima da média e impactos regionais Para o período entre junho, julho e agosto, a OMM projeta condições favoráveis ao "predomínio de temperaturas acima do normal em quase todas as regiões do planeta", com risco adicional de estresse térmico, seca e fenômenos extremos, como enchentes e estiagens severas. A organização destacou que centros regionais de previsão apontam chuvas "abaixo do normal" durante a temporada chuvosa de junho a setembro no Chifre da África, além de uma monção menos intensa que a média no sul da Ásia e condições mais quentes e secas na América Central. Durante o verão do hemisfério norte, as águas mais quentes associadas ao El Niño também podem favorecer a formação de furacões no Pacífico central e oriental, enquanto tendem a limitar o desenvolvimento desses sistemas no Atlântico, acrescentou a OMM. ONU fala em urgência climática O secretário-geral da ONU, António Guterres, classificou o cenário como motivo de preocupação e voltou a defender medidas contra o aquecimento global. — Todos devemos atribuir a esta situação o grau de urgência climática que ela representa — afirmou em declaração em vídeo: — As condições de El Niño jogarão mais lenha na fogueira de um planeta que está se aquecendo. Os impactos serão ainda mais fortes e serão sentidos muito mais longe. Cruzarão fronteiras em uma velocidade devastadora. Guterres voltou a pedir "o fim da dependência dos combustíveis fósseis". Apesar dos alertas, a OMM ressaltou que "não está demonstrado que a mudança climática aumente a frequência ou a intensidade dos episódios de El Niño".
ONU vê 80% de chance de El Niño entre junho e agosto, com alerta para eventos climáticos extremos
Organização Meteorológica Mundial prevê episódio ao menos moderado e diz que fenômeno pode agravar secas, chuvas intensas e ondas de calor no planeta













