O presidente Luiz Inácio Lula da Silva articula a indicação do ex-ministro Márcio França (PSB) para a vice do pré-candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad (PT). Lula reuniu-se na semana passada com França e o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), que tem participado da costura do palanque em São Paulo. No fim de semana, o presidente conversou sobre a chapa estadual com Haddad. França disse que sua prioridade é a disputa pelo Senado, mas afirmou que “no final, a decisão é do presidente”. “Tenho 40 anos de vida pública e tive, nas últimas duas eleições para governador em São Paulo e nas duas eleições, mais de 20 milhões de votos, então eu reivindico essa prerrogativa de poder disputar a eleição de novo aqui em São Paulo com o Senado”, afirmou. O ex-ministro, no entanto, declarou que poderá mudar de ideia. “Eu disse [a Lula] que a decisão que o presidente tomar eu respeitarei porque eu reconheço que, na ordem da importância das coisas, manter a Presidência da República com o Lula é muito superior a qualquer outra coisa”, disse a jornalistas na noite desta segunda-feira (1), depois de participar de uma roda de conversa promovida pelo movimento Direitos Já! Fórum pela Democracia, na capital paulista. Lula e Alckmin entraram nas negociações para definir o palanque em São Paulo, em meio à pressão de França para ficar com uma das vagas ao Senado. Na semana passada, o presidente esteve também com o presidente nacional do PSB e pré-candidato ao governo de Pernambuco, João Campos, para discutir chapas estaduais. Em São Paulo, o PSB já lançou a pré-candidatura da ex-ministra Simone Tebet para o Senado e a ex-ministra Marina Silva (Rede) tenta ficar com a outra vaga. Haddad tentava atrair um nome da centro-direita para a vice, mas as negociações não avançaram até o momento. A tendência é que a vice fique com Márcio França, ex-governador do Estado e ex-ministro. Haddad tem dito, em entrevistas, que deve anunciar no início deste mês sua chapa completa. “Em que posição cada um vai jogar aí, o presidente vai ter que dizer”, afirmou o ex-ministro do PSB. França afirmou que a falta de definição tem atrapalhado não só a pré-candidatura de Haddad, mas também dos pré-candidatos progressistas ao Senado, e citou que o principal adversário em São Paulo, o governador e pré-candidato à reeleição, Tarcísio de Freitas (Republicanos), já tem a chapa definida. Na vice de Haddad foi mantido Felício Ramuth (MDB). Para as vagas para disputar o Senado estão o deputado e ex-secretário Guilherme Derrite (PP) e o presidente da Assembleia paulista, André do Prado (PL). O ex-ministro do Empreendedorismo defendeu que a chapa de Haddad tenha uma presença maior de mulheres, em contraposição à de Tarcísio, composta apenas por homens brancos. Haddad disse que a decisão sobre a chapa será feita em conjunto com o presidente. “ [Lula] teve uma boa conversa com João Campos, com Márcio França. Vice vai depender disso também”, afirmou o pré-candidato, em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo e ao portal UOL. Se França for confirmado como vice de Haddad, fará uma chapa parecida com a de 2022. Na eleição passada, a exemplo desta, o ex-ministro do PSB também se lançou pré-candidato ao governo de São Paulo, mas teve a pré-candidatura retirada após negociação com Lula. Na disputa paulista passada, França apoiou Haddad e indicou sua esposa, Lucia França, para a vice do petista. Agora o próprio França poderá ficar com a vaga.