Os chatbots de inteligência artificial generativa, como ChatGPT, Claude e Gemini, são frutos de "um roubo descarado de propriedade intelectual que ocorreu em uma escala sem precedentes", afirmou o publisher do New York Times, A.G. Sulzberger, nesta segunda-feira (1º). Segundo o executivo, esse é o "pecado original que anima os produtos de IA".

Conforme Sulzberger, as empresas de IA —em contraste com o setor de streaming, que remunera produtores culturais— adotaram uma postura parasitária semelhante à da plataforma Napster, protagonista do principal caso de pirataria digital na Justiça americana. "Um pesquisador sênior da Microsoft escreveu que uma das principais promessas dos grandes modelos de linguagem é sua capacidade de usar os dados de treinamento para substituir o trabalho pago daqueles que criam tais dados."

Na liderança da transição digital do jornal New York Times desde 2018, o executivo afirma que as companhias de tecnologia dominaram a atenção da população sem incentivar o trabalho de reportagem local e de investigação. O resultado é um "sequestro da praça pública", disse ele em discurso de quase 40 minutos na abertura do congresso anual da Wan-Ifra (Associação Mundial de Editores de Notícias), o principal evento de editores de jornais do mundo, realizado em Marselha, no sul da França.