A Flórida processou a OpenAI e seu CEO, Sam Altman, nesta segunda-feira (01), acusando a empresa de deturpar a segurança de sua plataforma, o ChatGPT, que, segundo o processo, causou danos a crianças ao fornecer informações para atiradores, oferecer orientações sobre automutilação e viciar jovens usuários. O procurador-geral da Flórida, James Uthmeier, um republicano, protocolou a ação em um tribunal estadual, fazendo do Estado o primeiro a tomar este tipo de medidas contra a empresa no país. O documento citou um tiroteio em uma universidade da cidade de Tallahassee no ano passado e uma série de eventos em outros estados nos quais o ChatGPT supostamente forneceu informações a pessoas que, posteriormente, cometeram atos de violência. Em uma coletiva de imprensa, Uthmeier disse que o Estado incluiu Altman pessoalmente no processo porque ele foi “peça central” na promoção de alguns dos recursos do ChatGPT que, segundo Uthmeier, foram os mais prejudiciais. “Pessoas estão se machucando, pais estão sendo enganados e eles precisam pagar por isso”, disse Uthmeier aos repórteres. O processo busca indenizações que podem chegar à casa dos bilhões de dólares, afirmou Uthmeier, além de uma ordem judicial determinando que a empresa mude a forma como interage com usuários jovens. Um porta-voz da OpenAI não respondeu imediatamente a um pedido de comentário. A OpenAI tem declarado que treina seus modelos para recusar solicitações que possam “viabilizar a violência de forma significativa” e que notifica as autoridades policiais quando as conversas sugerem “um risco iminente e crível de dano a terceiros”, contando com a ajuda de especialistas em saúde mental para avaliar casos limítrofes. Uthmeier anunciou em abril que estava iniciando uma investigação criminal sobre o papel do ChatGPT em um tiroteio em massa ocorrido em 2025 na Universidade Estadual da Flórida, depois que os promotores revisaram os históricos de conversa entre o suposto atirador e o programa. Empresas de IA estão enfrentando uma onda crescente de processos judiciais que as acusam de falhar em prevenir interações com chatbots que, segundo os autores das ações, contribuem para a automutilação, doenças mentais e violência. A OpenAI também enfrenta um processo movido pela família de um homem morto no tiroteio na Universidade Estadual da Flórida, alegando que o atirador foi ajudado pelo ChatGPT no planejamento do ataque. Em abril, familiares de vítimas de um dos tiroteios em massa mais mortais do Canadá abriram um grupo de processos contra a OpenAI e Altman, alegando que a empresa sabia, oito meses antes do ataque, que o atirador o estava planejando no ChatGPT, mas não alertou a polícia. Sam Altman, CEO da OpenAI — Foto: Kosuke Okahara/Bloomberg
Flórida se torna primeiro Estado americano a processar OpenAI por riscos à segurança infantil
Segundo o processo, a empresa deturpou a segurança do ChatGPT e causou danos a crianças ao fornecer informações para atiradores, oferecer orientações sobre automutilação e viciar jovens usuários










