O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta segunda-feira que não recebeu nenhuma informação do Irã indicando que o país esteja suspendendo as negociações com os EUA, mas acredita que houve excesso de conversas e que algum silêncio seria benéfico. “Acho que temos falado demais, para dizer a verdade. Acho que ficar em silêncio seria muito bom, e isso poderia durar bastante tempo”, disse Trump em entrevista à NBC News. “É algo apropriado de se dizer, porque eles são melhores negociadores do que combatentes”, afirmou ele também em uma breve conversa por telefone, referindo-se à declaração iraniana. “Mas eles não nos informaram isso.” “Isso não significa que vamos sair por aí e começar a lançar bombas por toda a região”, acrescentou Trump, que havia dito na sexta-feira que em breve tomaria uma decisão sobre uma proposta de acordo para estender um aparente cessar-fogo firmado no início de abril. “Manteremos o bloqueio”, disse o presidente. “Eu acho que posso esperar o tempo que eles quiserem. Eles (os iranianos) estão perdendo uma fortuna.” EUA e Irã pareciam caminhar para um acordo na semana passada, trocando propostas e sinalizando concordância em alguns pontos. A ideia principal seria a de estender o cessar-fogo por 60 dias e reabrir o Estreito de Ormuz em até 30 dias, enquanto continuariam as conversas sobre o programa nuclear iraniano – os EUA insistem que o Irã não pode desenvolver uma bomba nuclear e deve entregar seus cerca de 400 quilogramas de urânio enriquecido. O Irã afirma que seu programa nuclear tem fins pacíficos e se recusa a entregar o urânio. Os iranianos também exigem o fim do bloqueio naval americano a embarcações com escala em portos no seu país. Representantes do Irã, contudo, interromperam as negociações com os EUA por meio de mediadores devido aos ataques de Israel contra o Hezbollah, apoiado por Teerã, no Líbano. A informação foi divulgada nesta segunda-feira pela agência estatal iraniana Tasnim. Segundo a Tasnim, que é próxima à Guarda Revolucionária, o Irã e a chamada “Frente de Resistência” — que inclui aliados xiitas de Teerã no Iêmen, no Líbano e no Iraque — também definiram uma agenda para bloquear o Estreito de Ormuz e ativar outras frentes de combate, como o Estreito de Bab el-Mandeb, com o objetivo de “punir” Israel e seus apoiadores. “Não haverá negociações até que as posições do Irã e da resistência sobre essa questão [do Líbano e outras frentes] sejam atendidas”, disse a agência estatal. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, sugeriu nesta segunda-feira que a crescente invasão israelense do Líbano e os ataques realizados no país, juntamente com a continuidade do bloqueio imposto pelos EUA aos portos iranianos, constituem uma violação do cessar-fogo. O principal negociador do Irã e presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, fez a mesma observação. “O bloqueio naval e a intensificação dos crimes de guerra no Líbano pelo regime sionista genocida são provas claras do descumprimento do cessar-fogo pelos Estados Unidos”, escreveu ele nas redes sociais. “Cada escolha tem um preço, e a conta sempre chega. Tudo acabará se encaixando”, acrescentou.
Trump diz que não ouviu do Irã que as negociações estão suspensas
Ofensiva israelense no Líbano e bloqueio dos EUA a portos iranianos são violações do cessar-fogo, disseram autoridades iranianas













