A Marinha francesa interceptou no Oceano Atlântico um petroleiro sancionado ligado ao comércio de petróleo russo e ordenou que a embarcação seguisse para a costa francesa, em uma ação que Moscou classificou como ilegal e próxima da “pirataria internacional”. O presidente francês, Emmanuel Macron, publicou nesta segunda-feira (1°) um vídeo na rede X mostrando comandos militares descendo de helicópteros para abordar o navio Tagor, durante uma operação realizada no dia anterior em águas internacionais, a cerca de 740 quilômetros a oeste da Bretanha. O petroleiro, que havia partido do porto ártico russo de Murmansk, era suspeito de navegar sob bandeira falsa e foi interceptado com apoio do Reino Unido, afirmou Macron. Segundo a plataforma de rastreamento marítimo MarineTraffic, o navio de 252 metros de comprimento navegava sob bandeira de Madagascar. A Prefeitura Marítima da França, autoridade estatal responsável pela segurança marítima, informou que a inspeção dos documentos da embarcação “confirmou as suspeitas sobre a irregularidade da bandeira utilizada”. Para contornar as sanções ocidentais, a Rússia tem recorrido a embarcações antigas conhecidas como “frota fantasma” para transportar petróleo e gás. França e Reino Unido prometeram dificultar a operação desses navios como parte da estratégia europeia para reduzir as receitas petrolíferas que ajudam a financiar o esforço de guerra russo na Ucrânia. “É inaceitável que navios contornem sanções internacionais, violem o direito marítimo e financiem a guerra que a Rússia trava contra a Ucrânia há mais de quatro anos”, escreveu Macron no X. Nesta segunda-feira, o Tagor navegava sob escolta naval rumo a uma área de fundeio no noroeste da França, segundo a Prefeitura Marítima. O Tagor é o quarto petroleiro sancionado interceptado pelas autoridades francesas. **O presidente da França, Emmanuel Macron, participa de uma declaração conjunta com Masayoshi Son, presidente do conselho e CEO do SoftBank Group, no Palácio do Eliseu, em Paris, em 1º de junho de 2026 — Foto: Ludovic Marin/Pool via AP Bandeira falsa A União Europeia já aprovou 19 pacotes de sanções contra a Rússia, mas Moscou conseguiu se adaptar à maior parte das medidas e continua vendendo milhões de barris de petróleo para países como Índia e China, normalmente com desconto. As sanções ocidentais e o pequeno número de interceptações tiveram pouco impacto aparente sobre a “frota fantasma”, especialmente em um momento em que a alta dos preços do petróleo, impulsionada pela guerra com o Irã, aumenta os incentivos econômicos para a atividade dos petroleiros. Em vez disso, são os ataques ucranianos contra instalações petrolíferas russas que têm impedido Moscou de aproveitar plenamente a alta dos preços globais dos combustíveis. A reação da Rússia à apreensão será acompanhada de perto. O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou nesta segunda-feira que Moscou adotará medidas para garantir a segurança da navegação comercial em resposta ao incidente. Em abril, a Rússia enviou uma fragata para escoltar dois navios sancionados através do Canal da Mancha e declarou que tinha o direito de se defender contra o que chamou de atos de pirataria. Dias depois, a Estônia informou que deixaria de deter petroleiros da frota fantasma russa, preocupada com a possibilidade de uma resposta militar de Moscou. O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, afirmou em março ter autorizado os militares britânicos a abordar embarcações pertencentes à “frota fantasma”. Dados de navegação, porém, mostram que dezenas de navios sancionados continuaram cruzando águas do Reino Unido. Em abril, os proprietários do petroleiro Deyna, registrado em Moçambique, pagaram uma multa de valor não divulgado para garantir a liberação da embarcação após ela ter sido detida pela França.