Empresas prometeram investir 93 bilhões de euros (US$ 108 bilhões) na França, dos quais metade será destinada a um projeto de centros de dados apoiado pela SoftBank. O movimento ocorre enquanto o presidente francês, Emmanuel Macron, busca aproveitar a capacidade nuclear do país para transformá-lo em uma potência global em inteligência artificial. Macron afirmou que os 71 projetos apresentados na edição deste ano da cúpula Choose France representam um recorde de investimento estrangeiro e devem gerar mais de 15.600 empregos, em um momento em que a taxa de desemprego francesa, ainda acima da média da União Europeia, voltou recentemente a superar 8%. A gigante japonesa de investimentos em tecnologia SoftBank investirá 45 bilhões de euros na construção de três centros de dados com capacidade combinada de 3,1 gigawatts na região de Hauts-de-France até 2031. Esse investimento poderá chegar a 75 bilhões euros, afirmou o CEO da SoftBank, Masayoshi Son, antes da abertura da reunião anual promovida por Macron com executivos de grandes empresas globais, realizada no antigo Palácio de Versalhes. “Trata-se de um investimento de enorme escala”, disse Son, acrescentando que o projeto ajudará a Europa a reduzir a distância em relação aos Estados Unidos e à China em capacidade computacional para inteligência artificial. “Já estamos fazendo isso nos Estados Unidos, portanto temos o modelo e o impulso necessários para transformar a França no centro da Europa para IA. E a Europa precisa desse tipo de tecnologia”, afirmou. O investimento é o mais recente passo da SoftBank em sua ofensiva global de expansão da infraestrutura para inteligência artificial. Até agora, o grupo já investiu mais de US$ 30 bilhões na OpenAI, adquirindo uma participação de 11% na desenvolvedora do ChatGPT, e concordou em investir outros US$ 30 bilhões na empresa ao longo de 2026. A SoftBank também lidera o financiamento do projeto Stargate, avaliado em US$ 500 bilhões, para construção de centros de dados nos Estados Unidos. “Os Estados Unidos estão avançando rapidamente. A China está avançando rapidamente. Europa, Japão e Ásia também precisam acelerar para não ficarem para trás”, afirmou Son, falando no Palácio do Eliseu. O presidente francês Emmanuel Macron abraça Masayoshi Son, presidente e CEO do SoftBank Group, durante uma declaração conjunta no Palácio do Eliseu, em Paris, no dia 1º de junho de 2026 — Foto: LUDOVIC MARIN/Pool via REUTERS França aposta em sua capacidade nuclear “Para nós, é uma grande conquista”, disse Macron sobre o investimento da SoftBank. “Estamos claramente reduzindo a defasagem que tínhamos em capacidade computacional na Europa.” O presidente francês busca capitalizar a rede de 57 reatores nucleares do país e o crescente excedente de eletricidade para promover a França como polo da indústria de inteligência artificial e dos centros de dados de alto consumo energético necessários para sustentar a nova tecnologia. “A França exporta eletricidade”, afirmou Son. “Podemos transformar eletricidade, uma matéria-prima, em inteligência de maior valor agregado. Assim, a França poderá exportar inteligência.” O executivo japonês disse que o acordo foi fechado rapidamente após um encontro com Macron em Tóquio, em abril, durante uma visita de Estado. “Ele me perguntou: ‘Masa, você é rápido?’ Eu respondi: ‘Sou rápido’”, contou Son. Segundo ele, as equipes dos dois lados trabalharam para concluir o acordo a tempo da cúpula Choose France, evento que Macron utiliza há nove anos para atrair executivos e investidores globais. Desde 2018, as cúpulas Choose France resultaram no anúncio de cerca de 231 projetos, com promessas de investimentos que somam 87 bilhões de euros.