Pesquisadores americanos analisaram dados de vida real e encontraram uma incidência mais alta de câncer entre adultos que relataram diagnóstico prévio de insônia primária Jovem com insônia — Foto: Freepik RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 01/06/2026 - 08:33 Insônia Primária Aumenta Risco de Câncer Hormonal em Jovens Mulheres, Indica Estudo Estudo apresentado no Congresso da ASCO relaciona insônia primária a maior risco de câncer antes dos 50 anos. Análise de dados de mais de 413 mil adultos apontou que insônia aumenta a probabilidade de cânceres hormonais, como de mama, útero e ovário. Os achados sugerem que distúrbios do sono são fatores de risco modificáveis, destacando a importância de investigações adicionais. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Um novo estudo apresentado na última semana no Congresso anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO, da sigla em inglês), o mais importante evento da área no mundo, encontrou uma ligação entre um diagnóstico de insônia primária e um risco maior de desenvolvimento de câncer abaixo dos 50 anos. O trabalho, conduzido por pesquisadores do Centro de Câncer MD Anderson, nos Estados Unidos, analisou dados de mundo real a partir de um banco que reúne informações de prontuários eletrônicos provenientes de mais de 70 organizações de saúde dos Estados Unidos, o TriNetX. Foram analisados dados de 413.116 adultos de 18 a 50 anos com diagnóstico de insônia primária, quando a dificuldade para dormir não pode ser atribuída a uma outra causa, como uso de medicamentos ou outras doenças, coletados entre 25 de janeiro de 2021 e 25 de janeiro de 2026. Os pesquisadores também observaram as informações sobre a incidência de cânceres de início precoce diagnosticados de um a até cinco anos após o relato de insônia. Os números foram comparados com outros 18.437.709 pacientes da mesma faixa etária que não tinham problemas para dormir. No período dos cinco anos, os pacientes com insônia apresentaram uma probabilidade mais de três vezes maior de desenvolver câncer de mama de início precoce, quase duas vezes maior de câncer de útero e de intestino e cerca de 1,5 vezes maior de câncer de ovário. No resumo apresentado no evento, os autores do trabalho destacam que a associação foi encontrada principalmente para cânceres hormonais de início precoce, mais comuns em pacientes do sexo feminino. Além disso, escrevem que os achados “sugerem que a perturbação do sono pode representar um fator de risco clinicamente relevante e potencialmente modificável na estratificação do risco de câncer de início precoce, justificando investigações adicionais”. Os resultados são importantes especialmente em meio à alta de casos de câncer entre adultos mais jovens: os diagnósticos oncológicos subiram 79% entre pessoas com menos de 50 anos entre 1990 a 2019, segundo um estudo publicado na revista científica BMJ Oncology. Com base nas tendências observadas, os responsáveis pelo trabalho estimam os casos e as mortes por câncer na faixa etária vão aumentar 31% e 21%, respectivamente, até 2030, sendo aqueles na faixa dos 40 anos os mais afetados. Os pesquisadores afirmam que fatores genéticos costumam influenciar o diagnóstico de câncer em faixas etárias mais baixas, mas reforçam que a má alimentação, como dietas ricas em carne vermelha e sal, e pobres em frutas e leite, aumentam o risco da doença. Além disso, alertam para outros fatores conhecidos ligados a uma probabilidade maior de desenvolver uma série de cânceres, como o consumo de álcool e tabaco, o sedentarismo, a obesidade e o excesso de açúcar no sangue.