O actual vice-governador do Banco Central Europeu, Luis de Guindos, abandonou o cargo neste domingo, 31 de Maio, mas acredita que Espanha vai recuperar, em breve, um lugar na comissão executiva da instituição. Uma ambição que tem sido apontada à presidência e que pode penalizar Portugal, já que os dois países ibéricos foram rodando a presença na cúpula da autoridade até aqui.“Espanha é a quarta maior economia da zona euro e a sua presença na comissão executiva do BCE é essencial e totalmente justificada”, segundo declarou Luis de Guindos numa entrevista ao jornal espanhol Expansión neste domingo, o último dia do seu mandato de sete anos.De Guindos é substituído pelo croata Boris Vujcic, numa corrida em que esteve o português Mário Centeno, de que saiu sem sucesso. É o primeiro de quatro lugares da comissão executiva que vão ficar vagos até ao fim de 2027 (do total de seis assentos).“O sistema bancário espanhol fez uma limpeza, mostrou que as reformas implementadas há uma década permitiram à economia quase duplicar o crescimento da zona euro. Para além dos desenvolvimentos políticos específicos, estas circunstâncias devem desempenhar um papel”, continuou o vice-presidente do BCE, quando questionado sobre se os casos de corrupção que têm vindo a penalizar o PSOE, principal partido do Governo de Pedro Sánchez, podem prejudicar as ambições espanholas.“É provável que Espanha tenha fortes candidatos, e estou confiante de que vai recuperar um lugar na comissão executiva nos próximos trimestres, quando terminarem os mandatos de vários membros”, continuou De Guindos.Espanha tem feito mira à presidência do BCE, em substituição de Christine Lagarde a partir de Outubro de 2027 (que, afinal, não vai sair mais cedo, como chegou a ser noticiado). O principal rosto é Pablo Hernandez de Cos, hoje no Banco de Pagamentos Internacionais (BIS, na sigla em inglês). “Se surgir a oportunidade da presidência, desejo o melhor – mas não vou especular. O importante é estar representado na comissão executiva”, respondeu De Guindos.Com Espanha presente na comissão executiva, Portugal fica mais limitado, já que haveria uma rotação da presença ibérica no órgão. Aliás, Espanha não esteve ao lado de Centeno na corrida para a vice-presidência, já que a entrada do português acabaria por impedir um nome espanhol, pois o alargamento dos países da zona euro trouxe uma maior concorrência entre geografias europeias pelos seis lugares.Espanha ambiciona a liderança, mas França e Alemanha também têm alinhado nomes, o que deixa pouco espaço para Portugal ter um assento na comissão. Portugal não marca presença naqueles lugares da comissão executiva do BCE desde 2018, quando Vítor Constâncio deixou a vice-presidência.A comissão executiva conta com seis elementos, a que se juntam depois os 21 governadores da zona euro no Conselho do BCE. É esse conselho que conduz a política monetária da zona euro, cuja principal missão é assegurar que a inflação fique em 2% no médio prazo. Em Junho, será a próxima reunião de política monetária.