A família do político Arnaldo Higino, que controla dois municípios do interior de Alagoas, usa dinheiro da educação para pagar agrotóxicos, manutenção de carros particulares, obras fantasmas e até reforma de uma arena de vaquejada privada.

Escolas municipais das cidades de Campo Grande e Olho D’Água Grande enfrentam infraestrutura precária. Os salários dos professores, congelados desde 2024, estão 50% abaixo do piso nacional.

Mesmo sem obras em escolas, empresa de construção consome milhões do Fundeb, principal mecanismo de financiamento da educação básica. Ônibus escolares circulam em condições precárias, enquanto, no papel, recursos são gastos em manutenção.

Os desvios aparecem em extratos do Fundeb, em mais de 30 notas fiscais e relatos obtidos pela Folha, que esteve nas cidades. Valores identificados pela reportagem somam ao menos R$ 6 milhões em cinco anos.

A família Higino é uma dinastia no agreste alagoano: controla Campo Grande por mais de duas décadas e, em 2021, passou a dominar Olho D'Água Grande. As cidades vizinhas estão a cerca de 160 km de Maceió.