A partir do dia 1 de Julho, os corpos de bombeiros passarão a beneficiar de um aumento de 23% no subsídio mensal fixo atribuído pelo Ministério da Saúde por cada Posto de Emergência Médica, ou seja ambulância, que seja integrada no Sistema Integrado de Emergência Médica (SIEM).O Governo precisa, numa nota às redacções enviada este domingo ao final da tarde, que o subsídio mensal fixo por cada ambulância passa dos actuais 8760 para 10.800 euros, num reforço de 2040 euros por mês, por cada ambulância."Os restantes subsídios previstos nos protocolos estabelecidos com o Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) serão actualizados de acordo com a inflação", acrescenta aquele ministério.Por estes dias, os corpos de bombeiros asseguram cerca de 90% da resposta operacional em emergência médica pré-hospitalar e no socorro às populações. "A colaboração entre o INEM e os bombeiros é indispensável para garantir uma cobertura nacional eficaz, assente na proximidade territorial e numa capacidade de resposta permanente e resiliente", sublinha ainda o gabinete da ministra da saúde, Ana Paula Martins.Actualmente, o INEM dispõe de 520 ambulâncias em funcionamento, "integrados em corpos de bombeiros e também em estruturas da Cruz Vermelha Portuguesa, assegurando uma resposta de proximidade às populações em todo o território nacional"."O aumento da procura dos serviços de emergência médica e a crescente pressão sobre os meios de socorro tornam necessário um reforço continuado do financiamento atribuído aos bombeiros", lê-se no mesmo comunicado em que o Governo enfatiza que, em 2024, o subsídio mensal fixo atribuído a cada ambulância era de 6690 euros. "Com a actualização agora anunciada para 10.800 euros mensais, o reforço acumulado nestes dois anos de Governo ultrapassa os 54%.""Se me perguntam se é suficiente, eu diria que é aquilo que este ano conseguimos, mas não vamos desistir com o financiamento disponível para o INEM, não vamos desistir porque é uma prioridade para nós chegarmos ao fim da legislatura o mais longe que pudermos", disse a ministra da Saúde, à margem da cerimónia do Dia Nacional dos Bombeiros, em Paredes.Salientando que os "bombeiros sempre estiveram disponíveis para ter contratos cada vez com mais rigor", Ana Paula Martins assegurou ainda que, "tal como eles não abandonam o país e as populações [...], o Governo também tem os bombeiros nas prioridades".Em Dezembro, o presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses (LBP), António Nunes, mostrara-se preocupado com a possibilidade de o transporte de doentes urgentes (nível de suporte básico de vida) ser aberto ao sector privado, conforme recomendou a Comissão Técnica Independente no relatório alusivo à refundação do INEM, cuja lei orgânica foi entretanto aprovada, por considerar que, no limite, tal alargamento pode comprometer a sobrevivência de corporações.Na altura, o presidente da Liga reclamara também o pagamento imediato da dívida de 30 milhões de euros às corporações respeitante ao transporte de doentes urgentes para os hospitais. Em causa estava um atraso de três meses e meio no pagamento das verbas para custear as ambulâncias de emergência médica estacionadas nos quartéis de bombeiros.Este fim-de-semana, em Palmela, um homem de 63 anos morreu, depois de ter sofrido uma paragem cardio-respiratória e de ter esperado 67 minutos por uma viatura médica de emergência e reanimação (VMER), segundo o Sindicato dos Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar. Na reacção, a ministra da Saúde reconheceu que o sistema de socorro médico enferma de uma "falta de recursos humanos" no INEM, que leva a que muitas viaturas fiquem inoperacionais, mas, e atribuindo estas anomalias a um desinvestimento de anos, prometeu 44 novas viaturas para muito em breve.