Nos dois lados do front da guerra na Ucrânia, soldados recorrem ao uso de drogas para suportar os desafios do conflito, que já entrou no quinto ano. À medida que os combates se prolongam, o vício e a automedicação se tornam um problema crescente, embora amplamente negligenciado.
As substâncias químicas servem para tratar as dores dos ferimentos, evitar o sono, suprimir o medo ou simplesmente continuar funcionando.
"Guerra significa braços e pernas arrancados. São intestinos, mau cheiro e sujeira no corpo. Você se urina, você se suja. É um estado emocional extremamente difícil", relata Dmytro, oficial ucraniano e dependente em recuperação. "Uma pessoa que nunca usou nada na vida acaba usando ali."
Do lado ucraniano, muitos soldados servem desde o início da invasão em larga escala, em 2022. Com recrutamento insuficiente e sem plano de desmobilização, eles permanecem por longos períodos na linha de frente, frequentemente sem descanso.
Stanislav, que atuou na contraofensiva ucraniana em Zaporíjia de 2023 a 2024, não aguentou. Ele desertou a sua unidade há dois anos e, desde então, vive escondido, enquanto tenta se recuperar do abuso de substâncias. "Quando você está sob efeito da metadona, consegue esquecer um pouco. Não é que você ganhe 'força'. É mais que você consegue se distanciar daqueles horrores e daquela ansiedade constante."






