‘Não existe inovação sem diversidade’A socióloga Andreia Schroeder e a empresária Elizabete Scheibmayr serão palestrantes da São Paulo Innovation Week (SPIW). Crédito: Edição: Larissa Kinoshita motion: Raul Carvalho, Coord de pós: Anderson Russo, Captação: Felipe Pedro/Lucas Ghitelar, Produção: Vitória SchimdtzGerando resumoA Feira Preta, evento que costumava ser realizado há mais de duas décadas em São Paulo (SP), chega ao Rio de Janeiro (RJ) neste final de semana, após passar por impasses de apoio financeiro que comprometeram a realização do evento na capital paulista em 2025. PUBLICIDADECom programação iniciada nesta sexta-feira, 29, e encerramento no domingo, 31, a feira contará neste ano com patrocínio de nove empresas e entidades, captado por meio de incentivo fiscal via Lei Rouanet.Ao Estadão, a idealizadora e diretora da Feira Preta, Adriana Barbosa, explicou que a escolha pela realização do evento no Rio de Janeiro se deu pela importância de o evento estar em uma região portuária, alinhada a uma conexão ancestral. “Era importante para nós estar numa região portuária porque foram nessas regiões que chegaram muitas pessoas em condições de escravizadas. A feira é um movimento para ressignificar e criar novos imaginários para esses territórios.” PublicidadeAdriana Barbosa, fundadora da Feira Preta, palestra durante primeiro dia da edição de 2026 do evento Foto: Feira Preta/DivulgaçãoEla afirmou ainda que retomar o evento com robustez após a crise de patrocínio ocorrida no ano passado em São Paulo é ser resiliente. “O Feira Preta Festival é um movimento de resiliência. Seguimos e seguiremos firme“, resume, acrescentando que a expectativa é de que a feira continue ocorrendo no Rio de Janeiro nos anos seguintes.Cancelamento em SPNo ano passado, o evento, que é considerado uma das maiores feiras de empreendedorismo negro da América Latina, precisou ser cancelado na capital paulista, onde ocorria desde 2002, em virtude da queda de quase 60% em receita de patrocínio. Para garantir sua perenidade, a feira teve uma versão realizada em Salvador (BA), com apoio do poder público local. Em entrevista ao Estadão na ocasião do cancelamento, Barbosa atribuiu o declínio do patrocínio aos tempos de pressão contra a agenda de diversidade impulsionados pelas iniciativas anti-ESG do governo Donald Trump, que estariam impactando grandes empresas. “O que aconteceu na Corte (dos EUA) de revogar ações afirmativas vai refletir no Brasil, na filantropia, no investimento social privado, no ESG. Já está refletindo. Porém, há algumas empresas que construíram cultura, essas não vão deixar de olhar para esse tema. Mas aquelas que só surfaram na onda, essas não conseguiram construir cultura, e fica mais frágil de sustentar o tema”, disse à época. PublicidadeFeira Preta ocorre até domingo, 31, no Rio de Janeiro Foto: Feira Preta/DivulgaçãoO argumento foi semelhante ao apresentado neste ano pelos organizadores da Parada do Orgulho LGBT+ de SP para explicar a atual queda de patrocínio do evento de diversidade. A Parada, que também teve decréscimo de 60% no volume de apoio financeiro em 2026, não será cancelada, mas precisará diminuir dimensões estruturais do evento, como a quantidade de atrações e trios elétricos. Leia tambémQueda de 60% no patrocínio da 30ª Parada LGBT+ expõe abalo na agenda de diversidade das empresasBrasil perde R$ 94,4 bi por ano ao ter barreiras a LGBT+ no mercado de trabalho, diz Banco MundialNo caso da Feira Preta, houve uma mudança orçamentária para a realização do evento. Enquanto em 2025 eram esperados R$ 14 milhões para arcar com os custos, neste ano, segundo informado pela organização ao Estadão, o valor arrecadado com patrocínio ficou em R$ 4,5 milhões.Conforme os organizadores, nesta edição o festival é apresentado pelo Ministério da Cultura, por meio da Secretaria de Cultura, Economia e Indústria Criativas, Nubank e Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), com patrocínio de Mercado Livre, Cerveja Original, Assaí Atacadista, Sebrae RJ2, L’Oréal, Nivea e Renner.O formato de patrocínio por meio da Lei Rouanet permite que recursos que seriam arrecadados via Imposto de Renda sejam utilizados para financiar projetos culturais. O trâmite depende de aprovação do Ministério da Cultura e envolve posterior prestação de contas.PublicidadeProgramação diversificadaPUBLICIDADECom o lema “Negra é a raiz da revolução”, a edição de 2026 da Feira Preta tem a expectativa de reunir 30 mil visitantes em três dias, em pontos da região portuária da capital fluminense, como o Pier Mauá. O acesso é gratuito e a programação é diversificada, com shows de nomes como Leci Brandão e Teresa Cristina, palestras, cinema, feira de empreendedores, gastronomia, moda, experiências culturais e encontros de inovação negra.A feira ainda pretende reunir negócios de cerca de 130 empreendedores negros. “(No Rio de Janeiro) queremos afirmar a potência da economia preta como caminho de desenvolvimento”, afirma Barbosa. “Mais do que um festival, queremos consolidar uma plataforma permanente de desenvolvimento econômico e cultural para a população negra.”