Fóssil, batizado de “Gus”, será vendido pela Sotheby’s em julho, em Nova York, e está avaliado entre US$ 20 milhões e US$ 30 milhões; é um dos exemplares de T. rex mais completos já encontrados até hoje Tiranossauro Rex será leiloado em Nova York em 16 de julho — Foto: Divulgação | Sotheby's RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 29/05/2026 - 19:00 Esqueleto de T. rex "Gus" será leiloado pela Sotheby’s em NY O esqueleto do Tyrannosaurus rex, apelidado de "Gus", será leiloado pela Sotheby’s em Nova York, em julho, com expectativa de atingir entre US$ 20 e US$ 30 milhões. Descoberto em Dakota do Sul, "Gus" é um dos T. rex mais completos encontrados, com 75% a 80% da massa óssea preservada. Especialistas destacam seu valor histórico e científico, enquanto o mercado de fósseis cresce, gerando debates sobre a privatização desses valiosos artefatos. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Um dinossauro voltará a “aparecer” em Nova York neste verão. A casa de leilões Sotheby’s colocará à venda, em julho, o esqueleto de um Tyrannosaurus rex apelidado de “Gus”, um exemplar gigantesco e excepcionalmente bem preservado que pretende alcançar entre US$ 20 milhões e US$ 30 milhões (R$ 150 a R$ 151 milhões). Se atingir esse valor, tornará-se um dos fósseis mais caros já vendidos em leilão. A venda ocorrerá em 16 de julho, durante o leilão de História Natural da Sotheby’s. Antes disso, o dinossauro ficará em exibição pública nas galerias da empresa em Manhattan, onde promete se tornar uma das grandes atrações da temporada. Com cerca de 11,6 metros de comprimento e quase quatro metros de altura, “Gus” pertence a um grupo muito restrito de T. rex excepcionalmente preservados. Segundo a Sotheby’s, ele conserva entre 75% e 80% de sua massa óssea original e é composto por 183 elementos fósseis. O crânio, uma das partes mais difíceis de ser recuperada de forma completa e um dos aspectos mais valorizados por paleontólogos e colecionadores, mantém 82% de seus ossos originais. — O Tyrannosaurus rex continua sendo o rei incontestável dos dinossauros — afirmou Cassandra Hatton, vice-presidente de ciência e história natural da Sotheby’s, em declarações divulgadas pela casa de leilões. — Gus é um dos espécimes mais extraordinários que existem, tanto por seu tamanho quanto por seu nível de preservação. Cabeça de Gus, Tiranossauro Rex que será leiloado em Nova York em 16 de julho — Foto: Divulgação | Sotheby's O exemplar foi descoberto entre 2021 e 2023 em um rancho de Dakota do Sul pertencente a Gary “Gus” Licking, de quem herdou o apelido. A escavação foi liderada pelo paleontólogo Thomas Heitkamp e exigiu vários anos de trabalho. Os especialistas encontraram o esqueleto fragmentado, enterrado em camadas de rocha sedimentar, e precisaram reconstruí-lo peça por peça. — Cada osso era como uma peça de um quebra-cabeça antigo — explicou Heitkamp sobre o processo de recuperação. Além do tamanho, o fóssil apresenta marcas de ferimentos cicatrizados e possíveis mordidas de outros dinossauros, sinais que podem fornecer informações sobre o comportamento desses predadores durante o período Cretáceo Superior. Especialistas acreditam que algumas dessas lesões indiquem confrontos entre indivíduos da mesma espécie, um aspecto ainda estudado pela paleontologia. O Tyrannosaurus rex habitou a América do Norte entre aproximadamente 68 milhões e 66 milhões de anos atrás, pouco antes da extinção em massa que eliminou os dinossauros. Desde sua descoberta científica, no início do século XX, tornou-se um dos animais pré-históricos mais populares do mundo, tanto por seu porte — podia pesar até nove toneladas — quanto pela força de sua mordida. Filmes, documentários e exposições em museus ajudaram a consolidar sua fama. Veja imagens do maior esqueleto de dinossauro já colocado à venda 1 de 6 Um especialista trabalha na montagem do esqueleto de um dinossauro Apatosaurus — Foto: STEPHANE DE SAKUTIN/AFP 2 de 6 Dinossauro Apatosaurus chamado "Vulcain", está no castelo de Dampierre antes do leilão — Foto: STEPHANE DE SAKUTIN/AFP X de 6 Publicidade 6 fotos 3 de 6 Parte interna do esqueleto — Foto: STEPHANE DE SAKUTIN/AFP 4 de 6 Esqueleto será o maior dinossauro do mundo a ser leiloado — Foto: STEPHANE DE SAKUTIN/AFP X de 6 Publicidade 5 de 6 Herbívoro que tinha mais de 20 metros de comprimento e pesava cerca de 20 toneladas em vida — Foto: STEPHANE DE SAKUTIN/AFP 6 de 6 Esqueleto possui uma protuberância na base da cauda, ​​provavelmente resultado da mordida de um predador. — Foto: STEPHANE DE SAKUTIN/AFP X de 6 Publicidade O leilão de “Gus” ocorre em um momento de forte valorização do mercado de fósseis. Em julho de 2024, a Sotheby’s bateu recordes com a venda de “Apex”, um estegossauro arrematado por US$ 44,6 milhões (R$ 224 milhões), muito acima das estimativas iniciais. Atualmente, o exemplar está emprestado ao Museu Americano de História Natural de Nova York. Antes disso, o recorde para um dinossauro vendido em leilão pertencia a “Stan”, outro T. rex adquirido em 2020 por US$ 31,8 milhões (R$ 160 milhões). O crescimento desse mercado, porém, também alimenta debates na comunidade científica. Muitos paleontólogos questionam o fato de fósseis de grande valor histórico e científico terminarem em coleções privadas, o que pode limitar o acesso de pesquisadores e museus. Outros defendem que os leilões ajudam a financiar escavações e trabalhos de preservação que, de outra forma, seriam inviáveis. A Sotheby’s afirma que boa parte desses exemplares acaba sendo exibida ao público. — Muitos dos fósseis vendidos nas últimas décadas foram emprestados ou doados a instituições — disse Hatton. Segundo a especialista, esse tipo de venda também desperta o interesse pela paleontologia entre novas gerações de colecionadores e visitantes.