Fóssil batizado de 'Gus' é um um dos espécimes de T. rex mais completos já encontrados. A venda será pela Sotheby's em julho, em Nova York, podendo atingir de R$ 101 milhões a R$ 152 milhões 'Gus', esqueleto de tiranossauro rex de 67 milhões de anos pertence a seleto grupo de espécimes excepcionalmente bem preservados — Foto: Divulgação / Matthew Sherman RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 29/05/2026 - 14:14 Esqueleto de T. rex "Gus" pode atingir R$ 152 milhões em leilão O esqueleto de um Tyrannosaurus rex, apelidado de "Gus", será leiloado pela Sotheby's em julho em Nova York, podendo atingir entre R$ 101 e R$ 152 milhões. "Gus" é um dos fósseis mais completos e bem preservados de T. rex, com 183 elementos fossilizados e 82% do crânio original intacto. Descoberto na Dakota do Sul, o esqueleto revela pistas sobre o comportamento pré-histórico e desperta interesse no mercado de fósseis. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Não é um evento cotidiano: um dinossauro "aparecerá" em Nova York neste verão (no hemisfério norte). A casa de leilões Sotheby's colocará à venda em julho o esqueleto de um Tyrannosaurus rex, apelidado de "Gus", um espécime gigantesco e excepcionalmente bem preservado que pode alcançar entre US$ 20 milhões e US$ 30 milhões (cerca de R$ 101 milhões a R$ 152 milhões na cotação atual). Se isso acontecer, ele se tornará um dos fósseis mais caros já vendidos em leilão. Os lances serão dados no dia 16 de julho, como parte do leilão de História Natural da Sotheby's. Antes disso, o dinossauro ficará em exposição pública nas galerias da empresa em Manhattan, onde promete ser uma das maiores atrações da temporada. Medindo aproximadamente 11,6 metros de comprimento e quase quatro metros de altura, "Gus" pertence a um seleto grupo de espécimes de T. rex excepcionalmente bem preservados. Segundo a Sotheby's, ele conserva entre 75% e 80% de sua massa óssea original e é composto por 183 elementos fossilizados. O crânio, que, segundo eles, é uma das partes mais difíceis de recuperar intacto e um dos aspectos mais valiosos para paleontólogos e colecionadores, conserva 82% de seus ossos originais. “O Tyrannosaurus rex continua sendo o rei indiscutível dos dinossauros”, disse Cassandra Hatton, vice-presidente de ciência e história natural da Sotheby’s, em um comunicado divulgado pela casa de leilões. “Gus é um dos espécimes mais extraordinários que existem, tanto pelo seu tamanho quanto pelo seu nível de preservação”, acrescentou. O espécime foi descoberto entre 2021 e 2023 em um rancho na Dakota do Sul, propriedade de Gary “Gus” Licking, de quem herdou o apelido. A escavação foi liderada pelo paleontólogo Thomas Heitkamp e levou anos. Os especialistas encontraram o esqueleto fragmentado enterrado em camadas de rocha sedimentar e tiveram que reconstruí-lo peça por peça. — Cada osso era como uma peça de um antigo quebra-cabeça — explicou Heitkamp sobre o processo de recuperação. 'Gus', esqueleto de tiranossauro rex de 67 milhões de anos pertence a seleto grupo de espécimes excepcionalmente bem preservados — Foto: Divulgação / Matthew Sherman Além do tamanho, o fóssil apresenta sinais de feridas antigas e cicatrizadas, e possíveis mordidas de outros dinossauros, o que pode fornecer informações sobre o comportamento desses predadores durante o período Cretáceo Superior. Especialistas acreditam que algumas dessas lesões indicam confrontos entre indivíduos da mesma espécie, um aspecto ainda em estudo pelos paleontólogos. O Tyrannosaurus rex habitou a América do Norte há aproximadamente 68 a 66 milhões de anos, pouco antes da extinção em massa que dizimou os dinossauros. Desde sua descoberta científica no início do século XX, tornou-se um dos animais pré-históricos mais populares do mundo, tanto por seu tamanho — podia pesar até nove toneladas — quanto pela força de sua mordida. A cultura popular consolidou ainda mais sua fama por meio de filmes, documentários e exposições em museus. O leilão de “Gus” ocorre em um momento de grande prosperidade para o mercado de fósseis. Em julho de 2024, a Sotheby’s bateu recordes com a venda de “Apex”, um estegossauro que alcançou US$ 44,6 milhões (cerca de R$ 226 milhões), superando em muito as estimativas iniciais. Atualmente, ele está emprestado ao Museu Americano de História Natural, em Nova York. Antes disso, o recorde para um dinossauro vendido em leilão pertencia a “Stan”, outro T. rex adquirido em 2020 por US$ 31,8 milhões (cerca de R$ 161 milhões). Mas o crescimento do mercado também gerou debates na comunidade científica. Muitos paleontólogos questionam o fato de fósseis de enorme valor histórico e científico acabarem em coleções particulares, o que poderia limitar o acesso de pesquisadores e museus. Outros, no entanto, argumentam que os leilões ajudam a financiar escavações e esforços de preservação que, de outra forma, seriam impossíveis de custear. A Sotheby's confirma que um grande número desses espécimes acaba em exibição pública. — Muitos dos fósseis vendidos nas últimas décadas foram emprestados ou doados a instituições — observou Hatton. Ela também afirmou que esse tipo de venda desperta o interesse pela paleontologia entre novas gerações de colecionadores e visitantes.