Quando George Orwell publicou "A Revolução dos Bichos", em 1945, o mundo era um pouco mais simples: havia o lado certo e o lado errado. Para Orwell, o lado errado eram as ditaduras, mais especificamente o comunismo bolchevique, afundado naquele momento no stalinismo triunfante.

Ali, os bichos de uma fazenda rebelam-se contra os homens, tomam a fazenda e conseguem se libertar do jugo a que eram submetidos. Era a liberdade. E liberdade, naquele momento, também parecia um conceito simples.

A alegoria não podia ser mais clara: a revolução pode ser uma coisa boa, pois nos traz a liberdade, desde que todos olhem na mesma direção, que ninguém busque usurpar o poder, que ninguém oprima os semelhantes. Na sua visão, as revoluções são como sonhos. O livro soou, claro, como uma condenação do comunismo.

Com seu gosto pela antropomorfização, é até estranho que a Disney não tenha criado sua versão para o romance. Talvez tenha notado que não se tratava de uma obra para crianças. Portanto, o desafio de seus sucessores era ou bem transformar o livro em uma fábula ao gosto infantil ou bem trazê-la para o universo adulto.

Resultou daí que "A Revolução" não é ágil o bastante para agradar às crianças contemporâneas, nem capaz de seduzir os adultos sem a necessidade de forçá-los a pensar. Um meio-termo um tanto problemático.