As quatro pessoas que foram detidas na quinta-feira por suspeitas de crimes económico-financeiros durante a Operação Imergente, que visou várias câmaras e juntas de freguesia lideradas pelo PS, foram esta sexta-feira presentes a um juiz de instrução criminal e ficaram em liberdade, sujeitos à medida de coacção menos grave, termo de identidade e residência (TIR).Além disso, estão impedidos de contactar, por qualquer meio (nomeadamente, por terceira pessoa e/ou por telefone, redes sociais ou qualquer outro meio de comunicação electrónico), com os restantes arguidos, assim como com os titulares de cargo político e funcionários de quaisquer órgãos das câmaras da Amadora e de Oeiras e das Juntas de Freguesia de Alcântara, da Misericórdia e de Santa Maria Maior, mencionadas no despacho. Ficam ainda impedidos de ir às instalações de quaisquer órgãos destas autarquias , revelou ao PÚBLICO fonte judicial.Entre os detidos estão Duarte Moral, antigo assessor do ex-primeiro-ministro António Costa e também assessor do actual líder do PS, José Luís Carneiro, na gestão da comunicação do partido, assim como a sua mulher, Rute Reimão, que terá celebrado contratos com a Junta de Freguesia de Santa Maria Maior, por ajuste directo, na ordem dos 70 mil euros entre 2020 e 2022. Estes dois arguidos não ficam sujeitos à proibição de contacto por serem casados.Os outros arguidos são o sócio de Duarte Moral, Rui Pedro Nascimento, e Emílio Vázquez Blanco, cidadão espanhol radicado em Portugal com ligações ao PS e ao Partido Socialista Obrero Español (PSOE), revelou a CNN.Em causa está a suspeita da prática dos crimes de prevaricação e participação económica em negócio, envolvendo a adjudicação de diversos contratos por parte de câmaras municipais e juntas de freguesia. Os contratos celebrados por autarquias do PS que estão sob investigação terão envolvido dois milhões de euros.A operação policial foi baptizada numa referência ao nome da empresa de Duarte Moral e do sócio, Rui Nascimento, ambos detidos.Na nota em que divulgou a operação, a Polícia Judiciária revelou que na base desta operação estão "procedimentos de ajuste directo ou de consulta prévia, em clara violação das normas legais aplicáveis e com evidente prejuízo para o erário público". A operação decorreu em Lisboa, Mafra, Oeiras e Coimbra. A Câmara Municipal da Amadora (PS) confirmou que a Polícia Judiciária também fez buscas nas suas instalações, sublinhando que "não é, enquanto instituição", visada por qualquer investigação em curso.Em Lisboa, a investigação teve como epicentro a Junta de Freguesia de Santa Maria Maior, anteriormente liderada pelo socialista Miguel Coelho, que entretanto suspendeu o mandato de deputado à Assembleia Municipal, dizendo que se defenderá "com a consciência tranquila"."Perante as notícias que associam o meu nome às diligências hoje realizadas no âmbito da Operação Imergente, decidi suspender, com efeitos imediatos, o meu mandato de deputado municipal à Assembleia Municipal de Lisboa", afirmou em comunicado.Os actos sob suspeita terão sido praticados entre 2016 e 2022.A sede do PS em Lisboa foi também alvo de diligências da PJ, tendo o partido referido que estavam relacionadas "com actividades que são imputadas a um dos seus trabalhadores". O secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, reagiu à operação, esclarecendo que o partido “não é visado” e que as diligências estão relacionadas exclusivamente com a actividade de “um dos trabalhadores".