Oito estudantes foram detidas no Quénia esta sexta-feira por suspeitas da autoria do incêndio que matou 16 alunas na Academia Feminina Utumishi, em Gigil, no Centro-Oeste do país, na madrugada de quinta-feira.Segundo a Direcção de Investigação Criminal do Quénia, as autoridades identificaram as oito jovens como sendo suspeitas de planear e executar o incêndio. As detenções aconteceram depois de interrogatórios a vários estudantes e funcionários do estabelecimento, bem como análise forense das imagens de videovigilância recolhidas.A Polícia Nacional do Quénia indicou que as estudantes foram localizadas e levadas para interrogatório, numa fase em que a investigação para apurar a causa exacta do incêndio continua a decorrer. A Direcção de Investigações Criminais daquele país africano continua a recolher testemunhos, avança a própria numa publicação no X. De acordo com a BBC, as detidas integravam um grupo de 30 alunas que foram chamadas à escola pelos investigadores.

PRESS RELEASE: INVESTIGATION INTO FIRE INCIDENT AT UTUMISHI GIRLS SENIOR SECONDARY SCHOOL pic.twitter.com/QvILfPFnxv— DCI KENYA (@DCI_Kenya) May 29, 2026

O incêndio de quinta-feira destruiu todo o piso superior do dormitório daquele internato, que continha 135 beliches. O edifício tinha dois pisos e o térreo ficou praticamente intacto. O internato foi entretanto encerrado para facilitar o trabalho de investigação. Segundo a EFE, a escola albergava 815 estudantes do ensino secundário e fica situada a cerca de 120 quilómetros de Nairobi, a capital.O fogo terá deflagrado durante a madrugada de quinta-feira, enquanto as alunas dormiam. O ministro da Educação queniano, Julius Ogamba, informou, também na quinta-feira, que o incêndio tinha provocado 16 vítimas mortais e dezenas de feridos. Entre as 79 estudantes que foram hospitalizadas, sete permanecem internadas. Os corpos das vítimas mortais foram transferidos para uma morgue local e aguardam procedimentos de identificação, acrescenta a agência EFE.Segundo a BBC, a avaliação preliminar das autoridades quenianas ainda não tinha apurado a causa exacta do incêndio, mas era possível determinar que a escola apresentava várias falhas nas condições de segurança, entre elas a sobrelotação do dormitório e uma porta de saída de emergência fechada.Ogamba determinou a dissolução do conselho de gestão da escola e ordenou que se adoptassem medidas disciplinares e legais contra a direcção do estabelecimento e instou a que se apurem os responsáveis pelo incumprimento das suas obrigações ao nível das medidas de segurança.O incêndio do internato de Gigil reacendeu o debate sobre a segurança nos estabelecimentos de ensino no Quénia. A sobrelotação de dormitórios e incumprimento de regras de segurança foram já questões levantadas noutros dois incêndios mortais em escolas naquele país: um em 2024, que matou 21 crianças, e outro em 2001, numa escola secundária, que fez 67 mortos.