Aos 83 anos, Paul McCartney está perseguindo uma ideia: voltar para casa. Verdadeiro patrimônio cultural da humanidade, ele não quer as mansões exuberantes ou os palcos de arenas gigantescas. Ele busca uma Liverpool operária antes de sua fama. Quer voltar ao bairro onde foi mais um menino querendo fazer com guitarras baratas algumas canções para tocar no rádio.
Chegando às plataformas, "The Boys of Dungeon Lane", primeiro álbum de estúdio de McCartney em seis anos e seu 20º trabalho solo, pode parecer, sob um olhar evidentemente ingênuo, o encontro do maior nome do planeta pop e um garoto sonhador e talentoso.
A Dungeon Lane do título é uma rua da região onde McCartney e George Harrison cresceram. E ela simboliza essa jornada que retrocede a memórias de casas geminadas, tardes frias de chuva, famílias proletárias, amizades adolescentes e paixões platônicas. O foco parece ser a vida antes dos Beatles. Este é um McCartney com saudade de uma existência anônima entre os mortais?
Para fãs ansiosos, é bom esclarecer logo. O álbum não é uma obra-prima. Longe disso. "The Boys of Dungeon Lane" deverá cumprir o que acontece há décadas quando McCartney, Ringo Starr ou os Rolling Stones lançam um disco. A primeira reação é eufórica, com o novo trabalho sendo considerado o melhor deles há muito tempo. Mas depois vem a percepção de que o álbum não é tão bom assim.











