Em um experimento, fêmeas do Aedes aegypti aprenderam a aceitar um repelente químico e desenvolveram uma preferência pelo sangue de vítimas que usaram o produto. O estudo, conduzido por pesquisadores da universidade françesa de Tours e da americana Virginia Tech, saiu nesta quinta (28) na revista Journal of Experimental Biology.
No teste, 6 em cada 10 fêmeas treinadas previamente mostraram resposta de tentativa de mordida nas mãos dos pesquisadores cobertas de repelente à base de DEET (N-dimetil-meta-toluamida ou N,N-dietil-3-metilbenzamida). Isso indica um processo de aprendizado que tornou a substância apetitosa, em vez de repulsiva.
O entomólogo Claudio Lazzari, professor da universidade francesa e pesquisador visitante da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) de 2013 a 2015, liderou o experimento.
Ele destacou que, do ponto de vista prático, o DEET continua sendo o repelente padrão-ouro. Com isso, os achados não devem ser interpretados como um salvo-conduto para abandonar medidas de proteção individuais, sobretudo em áreas de alta circulação de doenças transmitidas por mosquitos. O Aedes aegypti é transmissor de doenças como febre amarela, dengue e chikungunya.
Além disso, o estudo ocorreu em condições controladas de laboratório e não sugere que mosquitos selvagens estejam adquirindo resistência ao DEET no ambiente real.










