PUBLICIDADE Pesquisa é considerada a maior já feita sobre a doença e pode acelerar desenvolvimento de novos tratamentos Maior estudo genético já realizado sobre endometriose identificou 80 regiões do DNA associadas à doença e apontou relações com sintomas como dor abdominal, enxaqueca, ansiedade e náusea — Foto: Freepik RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 28/05/2026 - 18:19 Descobertas Genômicas Avançam Diagnóstico e Tratamento da Endometriose Estudo publicado na Nature Genetics revela 80 regiões genômicas ligadas ao risco de endometriose, abrangendo dados de 1,4 milhão de mulheres. A pesquisa, a maior do tipo, aponta conexão entre endometriose, enxaqueca e ansiedade, e sugere novos tratamentos a partir de medicamentos existentes. Especialistas destacam a importância do entendimento molecular para acelerar diagnósticos e terapias. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Um estudo internacional publicado na revista científica Nature Genetics em abril identificou 80 regiões do genoma associadas ao risco de desenvolver endometriose, ampliando significativamente o entendimento sobre a doença que afeta cerca de uma em cada dez mulheres em idade reprodutiva no mundo. A pesquisa analisou dados genéticos de aproximadamente 1,4 milhão de mulheres, incluindo mais de 105 mil casos diagnosticados da condição. Considerado o maior estudo genético já realizado sobre endometriose, o trabalho revelou 37 regiões genéticas até então desconhecidas pelos cientistas. A pesquisa foi conduzida por especialistas da Universidade Yale, da Universidade de Barcelona e do Instituto de Pesquisa Sant Pau, entre outras instituições da Europa e dos Estados Unidos. A endometriose é uma doença inflamatória crônica caracterizada pelo crescimento de tecido semelhante ao endométrio fora do útero. A condição costuma provocar dores intensas, infertilidade e outros sintomas, além de enfrentar dificuldades históricas de diagnóstico. Segundo os pesquisadores, o atraso para identificação da doença pode chegar a até dez anos. Endometriose: entenda os sintomas da doença que levou a cantora Anitta a ser submetida à cirurgia 1 de 6 Anitta. Internada no hospital Vila Nova Star, em São Paulo, para fazer exames pré-operatórios, a cantora foi submetida à cirurgia laparoscópica para tratar de uma endometriose — Foto: Reprodução 2 de 6 A endometriose é uma doença crônica causada por uma inflamação fora do normal de células do endométrio – tecido que reveste as paredes internas do útero, onde o óvulo se fixa depois de fecundado para que o feto cresça no caso de reprodução — Foto: Freepik X de 6 Publicidade 6 fotos 3 de 6 O problema leva esse tecido do endométrio a crescer para fora do útero, com fragmentos chegando ao ovário, às trompas e a outros órgãos da região — Foto: Freepik 4 de 6 Isso acaba provocando cólicas menstruais muito intensas; dores durante ou após relações sexuais; dores e sangramentos intestinais e urinários durante a menstruação e pode levar a dificuldades para engravidar — Foto: Freepik X de 6 Publicidade 5 de 6 A doença pode regredir após a menopausa, mas mulheres mais jovens que sofrem com o problema podem tratá-lo com o uso de anticoncepcionais sem intervalo – o que suspende a menstruação e a consequente inflamação dos tecidos do endométrio — Foto: Freepik 6 de 6 Não se sabe ainda quais são as causas exatas que levam o endométrio a crescer para regiões de fora do útero, porém estudos têm indicado que pode haver fatores genéticos relacionados ao problema — Foto: Freepik X de 6 Publicidade O estudo também apontou relações genéticas entre a endometriose e sintomas frequentemente associados à doença, como dor pélvica crônica, enxaqueca, ansiedade e náuseas. Além disso, os cientistas identificaram cinco regiões genéticas compartilhadas entre endometriose e adenomiose — condição em que o tecido endometrial invade a parede muscular do útero. Outro avanço destacado pelos pesquisadores foi a identificação de possíveis tratamentos a partir do reaproveitamento de medicamentos já aprovados para outras doenças. Entre os remédios analisados estão medicamentos usados em tratamentos contra câncer de mama, contraceptivos e fármacos voltados à prevenção de parto prematuro. A pesquisa utilizou análises chamadas de “multiômicas”, que combinam genética, proteínas e estudos de tecidos para entender os mecanismos biológicos envolvidos na doença. Os resultados indicaram relações com processos de inflamação, regulação hormonal, remodelação de tecidos e funcionamento do sistema imunológico. — Este estudo amplia substancialmente o mapa genético da endometriose e ajuda a compreender melhor os mecanismos biológicos envolvidos em uma patologia ainda pouco conhecida — afirmou o pesquisador Bru Cormand, da Universidade de Barcelona, em comunicado divulgado pela instituição. A autora principal do estudo, Dora Koller, destacou que a compreensão molecular da doença é essencial para acelerar diagnósticos e tratamentos. — Se não sabemos o que acontece em nível molecular, é muito difícil desenvolver tratamentos eficazes ou melhorar o diagnóstico — disse a pesquisadora. Apesar dos avanços, os cientistas afirmam que ainda não existe um teste genético disponível para diagnóstico clínico da endometriose. Segundo os autores, os resultados representam um passo importante para o desenvolvimento de abordagens mais personalizadas no tratamento da doença.