Ministro da Secretaria-Geral chama de 'lamentável' atuação de Galípolo no Banco Central O ministro Guilherme Boulos (Secretaria-Geral) — Foto: Cristiano Mariz RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 28/05/2026 - 18:23 Boulos defende reforma do Judiciário e critica atuação de Galípolo no Banco Central A campanha de reeleição de Lula, segundo Guilherme Boulos, planeja propor uma reforma no Judiciário para resolver a "confusão institucional" no Brasil, enfatizando a necessidade de cada poder atuar em seu devido âmbito. Boulos critica a rejeição de Jorge Messias ao STF como uma querela entre Legislativo e Executivo. Além disso, criticou a atuação de Gabriel Galípolo no Banco Central e abordou a importância de regular o trabalho por aplicativos. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O ministro Guilherme Boulos (Secretaria-Geral) afirmou que a campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai tratar de uma reforma no Judiciário diante do diagnóstico de que há uma "confusão institucional". — Barraram o (Jorge) Messias (ao STF) para utilizar isso como parte de uma querela entre Legislativo e Executivo. Tem coisas que estão disfuncionais. O Brasil precisa de uma reforma do sistema político-judicial. A campanha do presidente Lula tratará disso — afirmou Boulos. Com assento no Palácio do Planalto, o ministro criticou o volume de emendas parlamentares, ponto de atrito com o Congresso, e afirmou que a necessidade de reorganização nas relações entre os Poderes decorre de falhas da gestão anterior, de Jair Bolsonaro. — Temos que discutir nesse momento os termos (da reforma). Judiciário não tem que legislar, tem que julgar. Estamos em uma relação de confusão institucional no Brasil, de anomia. Tem que botar cada um no seu quadrado — completou. Boulos afirmou ainda que as queixas do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), sobre a sua postura são resultado da estratégia "bateu, levou" que adota. O titular da Secretaria-Geral também classificou como "lamentável" a atuação do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, indicado por Lula. O governo tem anunciado uma medida a cada três dias a menos de cinco meses da eleição. O objetivo é alavancar a popularidade do presidente Lula? As pessoas têm uma ideia de que o governo não pode fazer nada em ano eleitoral. Não dá para ser assim. O país não para. O governo tomou uma série de outras medidas antes. O Pé de Meia e zerar Imposto de Renda (para quem recebe até R$ 5 mil) não foram em anos eleitorais. Nós temos um problema que vai se agravando, por exemplo, em relação ao endividamento. O diagnóstico é que a primeira versão do Desenrola não foi suficiente para resolver. Era necessário que se lançasse (uma nova versão). Isso vai aliviar, para além de qualquer impacto eleitoral, milhões de brasileiros e brasileiras que não conseguem fechar as contas no fim do mês. Essas medidas, inclusive com o subsídio dos combustíveis, têm um impacto fiscal e podem afetar as contas públicas no ano que vem. Como lidam com isso? O resultado fiscal desse governo é infinitamente superior ao do anterior, quando tinha um fiscalista da escola de Chicago no Ministério da Fazenda (Paulo Guedes). A regra de transição para o fim da escala 6x1, com a diminuição de duas horas na jornada um mês após a promulgação da lei, foi criticada por setores empresariais e considerada curta justamente para ter efeito a tempo da eleição... A PEC do fim da escala 6x1 foi protocolada no fim de 2024. O Congresso fez com que só tramitasse agora. Você não pode atribuir isso a uma iniciativa do governo do presidente Lula. Ela poderia ter sido aprovada no ano passado. Acho muito curioso o tema da transição. Na hora de aprovar penduricalho, passa a valer no dia seguinte. Por que na hora de garantir um direito para os trabalhadores há uma comoção por grande transição? O saldo entre aprovação e reprovação ainda é negativo para o governo, segundo as pesquisas. Por que isso acontece? Com a extrema-direita e a disputa ideológica de valores culturais nas redes sociais, a percepção política ficou cada vez mais parecida com a torcida de futebol. O Lula pode ter melhorado a vida do cara que se identifica como bolsonarista, mas você não vai vê-lo dizendo que o governo está bom. A avaliação passou a estar muito relacionada ao nível de arraigamento da disputa ideológica e dos posicionamentos. Há um público cada vez menor em disputa. O governo sofreu uma grande derrota com a rejeição pelo Senado da indicação do ministro Jorge Messias (Advocacia-Geral da União) ao Supremo Tribunal Federal (STF). Por que esse revés aconteceu? O Senado se apequenou. Existia alguma razão de ordem jurídica ou da biografia do Messias para que ele fosse rejeitado? Ninguém apresentou. Barraram o Messias para utilizar isso como parte de uma querela entre Legislativo e Executivo. Tem coisas que estão disfuncionais. O Brasil precisa de uma reforma do sistema político-judicial. A campanha do presidente Lula tratará disso. Em que termos? É ingovernável continuar com o festival de emendas parlamentares. Como o Legislativo vai executar R$ 61 bilhões em emendas? Isso, sim, está extremamente relacionado a gasto eleitoreiro. Emenda impositiva é desvirtuar a Constituição. Mas isso já foi criticado pelo presidente Lula na campanha de 2022 e não mudou. Por que agora conseguiria? Uma parte do debate político passa por convencer a sociedade. Desde 1988, a gente não tinha redução da jornada de trabalho no Brasil. A esquerda sempre defendeu. Agora estamos reduzindo. Mas como seria feita a reforma política? Nós temos que discutir os termos nesse momento. Judiciário não tem que legislar, tem que julgar. Estamos em uma relação de confusão institucional no Brasil, de anomia. Tem que botar cada um no seu quadrado. No governo anterior, tinha o Executivo querendo dar golpe de Estado e fechar o Supremo e o Congresso. O Legislativo querendo tomar o papel do Executivo e executar Orçamento, e o Judiciário tomando o papel do Legislativo definindo lei. A campanha será mais à esquerda então? O Lula 3 tem pautas de esquerda que o Lula não tinha pego nos outros mandatos, quando tinha maior popularidade. Taxar super rico? Esse debate nem apareceu no Lula 1 e Lula 2. O governo encampou o fim da escala 6x1, falou de soberania nacional... Uma das críticas que a esquerda faz ao governo do Lula é que o arcabouço fiscal limitou investimentos. A campanha vai discutir ter uma flexibilidade fiscal maior? Quem está legitimado para falar em nome da campanha é o companheiro Edinho (Silva), coordenador e presidente do PT. Hoje o mundo vive uma transição geopolítica e se faz um debate de que uma coisa é regra fiscal para custeio, e outra é investimento. O mundo atual coloca desafios do ponto de vista de um projeto nacional, o que implica ter condições para fazer investimentos. Isso não pode estar na amarra de uma regra fiscal para custeio. O Brasil vai ter que enfrentar esse debate. A campanha do Lula vai explorar o caso Master? Esse tema já está colocado. A campanha é comparação. Poucos brasileiros não devem ter ouvido aquele áudio. O Flávio Bolsonaro tem uma ficha corrida extensa. E ele agora é o irmãozinho do Vorcaro. Os adversários do presidente vão dizer que ele recebeu o Vorcaro fora da agenda. Como vão responder? O Lula já recebeu banqueiros, empresários, pessoas do agro, trabalhadores, indígenas, quilombolas. Não há crime em receber setores da sociedade. Agora, pedir R$ 134 milhões para um filme que mais parece lavagem de dinheiro do que propriamente um recurso para produção cultural... Não tem comparação entre você receber alguém no seu local de trabalho e ter um pedido explícito de dinheiro. Cada vez que ele (Flávio Bolsonaro) fala disso, se complica mais. Não vi essas queixas quando a extrema-direita fez luta política. A extrema-direita inclusive subiu na mesa dele (Motta) e tomou a cadeira por dois dias. E levou uma punição branda. Quando a esquerda faz luta política para levantar suas posições, é desrespeito e falta de compostura. Não se pode ter dois pesos e duas medidas. Eu tenho uma relação institucional. Sou deputado eleito e fui líder (na Câmara) com o Hugo Motta em 2023. Tive uma relação cordial no trato. Uma das suas funções no governo é fazer a disputa política? É uma missão dada pelo presidente? A missão que o presidente me deu foi aprofundar a relação com a sociedade, dialogar com setores com os quais estávamos com dificuldade, como caminhoneiros e trabalhadores de aplicativo, e colocar o governo na rua. Quem me conhece sabe que não dou chute na canela, mas não vai esperar alguém domesticado. Eles se acostumaram com a extrema-direita batendo, e o governo tinha que dar a outra face. Não, senhor. Talvez o incômodo que esteja causando com a minha postura é que bateu, levou. Não vamos aguentar quem fez um governo desastroso atacar o governo e posar de defensor do povo. Eu não trabalho desse jeito, independentemente do incômodo que causar. Regular o trabalho por aplicativos foi uma das missões que o presidente Lula deu ao senhor. Será possível fazer isso ainda neste mandato? Este ano não vai, porque o lobby das grandes plataformas foi muito poderoso na Câmara dos Deputados. A regulamentação tem que ser para proteger os trabalhadores. As plataformas já estão muito bem. Não se chegou ao entendimento. Como o senhor vê a atuação do Gabriel Galípolo no Banco Central diante das taxas de juros? Acho lamentável o Galípolo não ter atuado como deveria para baixar os juros no país. É injustificado. Foi uma expectativa quebrada? Sem dúvida. O presidente batia no (Roberto) Campos Neto pelo tema dos juros. O Galipolo assume e aumenta os juros. Ninguém está dizendo que o único fator dos juros é a deliberação da cabeça do presidente do Banco Central. Mas acho que nem a velhinha de Taubaté acredita que isso é produto única e exclusivamente das forças invisíveis e inflexíveis do mercado. Existem fatores de mercado, estão relacionados à inflação, ao risco mundial, à taxa de juros nos Estados Unidos e ao risco país. E existem fatores de decisão política. É que projeto de país você quer.