O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) atuam diretamente nas negociações da chapa do ex-ministro e pré-candidato do PT ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, para tentar resolver o impasse entre os três postulantes ao Senado. Os ex-ministros Marina Silva (Rede), Simone Tebet (PSB) e Márcio França (PSB) insistem em ficar com uma das vagas para a disputa. Nesta quinta-feira (28), Lula, Alckmin e o presidente nacional do PSB, João Campos, reuniram-se para discutir a chapa em São Paulo e negociar também o palanque em Minas Gerais. Em São Paulo, o PSB tem a garantia de Lula de lançar Simone Tebet a senadora e não descarta ficar apenas com essa vaga ao Senado. No entanto, o partido pressiona o presidente a fazer um gesto para Márcio França e dar algum tipo de compensação para o ex-ministro, se ele desistir de concorrer a senador. Na avaliação de dirigentes do PSB, faltou uma conversa respeitosa de Lula com França desde que o ministro deixou o governo federal para disputar a eleição. Depois desse gesto do presidente, o ex-ministro poderia ficar com a suplência de Simone Tebet ou Marina, ou ainda com a vice de Haddad. A expectativa de lideranças do partido, no entanto, é que França seja convidado para comandar um ministério, na atual gestão de Lula ou em um eventual novo mandato do presidente, se ele for reeleito. França é dirigente nacional do PSB, responsável pelas finanças da legenda, e tem se queixado de ter sido “atropelado” pela pré-candidatura de Simone Tebet, articulada pelo presidente. O ex-ministro do Empreendedorismo foi governador de São Paulo por oito meses em 2018, depois que Alckmin deixou o governo paulista para disputar a Presidência. Ao tentar a reeleição no Estado, França recebeu uma votação expressiva. No primeiro turno, ficou em segundo lugar, com 21,53% dos votos, cerca de 4,35 milhões de eleitores. Foi para o segundo turno, recebeu 10,24 milhões de votos e perdeu por uma margem apertada para João Doria (então filiado ao PSDB): França teve 48,25% dos votos e Doria, 51,75%. O ex-ministro tem forte influência no diretório paulista do PSB, que é comandado por seu filho, o deputado estadual Caio França. Em 2022, tentou disputar o governo paulista, mas retirou sua pré-candidatura a pedido de Lula e apoiou, na época, Haddad. França indicou sua esposa, Lucia França, para a vice do petista. Enquanto o aceno de Lula ao ex-ministro não vem, o PSB cogita manter as pré-candidaturas ao Senado de Tebet e de França — mesmo com a perspectiva de retirar o nome do ex-ministro dentro de algumas semanas. A federação Rede-Psol pressiona para que Marina Silva fique com a segunda vaga ao Senado. Segundo dirigentes dos dois partidos, nas conversas com o PSB não houve a “imposição” para que as duas vagas ficassem com Tebet e França. A assessoria de Marina disse que sua pré-candidatura ao Senado por São Paulo "segue colocada com serenidade, espírito de diálogo e compromisso com a construção de uma ampla frente democrática em torno da reeleição do presidente Lula e da eleição de Fernando Haddad ao governo do Estado". "[Marina] entende que é legítimo que o PSB ocupe uma vaga entre as duas candidaturas do campo democrático-popular ao Senado por São Paulo, ficando a outra vaga para a representação da Federação Rede-PSOL", afirmou a equipa da ex-ministra, em nota. Haddad tem sido pressionado pelo PSB a resolver logo sua chapa. O pré-candidato afirmou que conversou com Alckmin no fim de semana, em sua casa, na capital paulista, e que também tem dialogado com Lula sobre a composição. O petista ainda tenta “reservar” a vaga de vice na chapa para um nome que possa trazer apoio de outros setores de centro-direita, como o agronegócio. Caso não consiga atrair um apoio fora do seu campo político, poderá escolher entre França e Marina para ficar com a vice. Na quarta-feira (27), Haddad contou a jornalistas sobre a participação de Lula e Alckmin na definição e desconversou sobre qual será a escolha para a vice e Senado. “Essa questão é a que menos me preocupa porque são pessoas das quais eu seria vice, são pessoas com quem eu comporia a chapa para o Senado, são pessoas do meu círculo, não só de luta política, mas de amizade. São pessoas que comungam comigo os mesmos valores, são pessoas éticas, que têm uma trajetória, uma vida dedicada a questões públicas, ao interesse público”, disse. “Estou muito confortável, qualquer que seja o desfecho, vai me contemplar.” O principal adversário de Haddad na disputa paulista, o governador e pré-candidato à reeleição, Tarcísio de Freitas (Republicanos), já definiu sua chapa completa e seus aliados já estão em pré-campanha. Na vice, Tarcísio manteve Felicio Ramuth (MDB). Para o Senado, são pré-candidatos o ex-secretário e deputado federal Guilherme Derrite (PP) e o presidente da Assembleia paulista, André do Prado (PL).