Os juros futuros encerraram a sessão desta quinta-feira (28) em ligeira alta. A despeito das notícias de que EUA e Irã chegaram a um acordo, da queda do dólar contra o real e de dados de criação de emprego abaixo das estimativas de consenso no Brasil, investidores não demonstraram convicção em apostar na queda das taxas locais. Declarações mais duras do diretor do BC, Nilton David, um leilão robusto de títulos prefixados e o sentimento crescente dos agentes de que não há mais muito espaço para cortes na Selic impediram o movimento de retirada de prêmios no mercado doméstico. No fim do dia, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 passou de 14,055%, no ajuste anterior, para 14,10%; a do DI para janeiro de 2028 oscilou de 13,85% para 13,905%; a do contrato para janeiro de 2029 subiu de 13,82% para 13,885% e a do DI para janeiro de 2031 avançou de 13,91% para 13,96%. Participantes do mercado notaram que o diretor de política monetária do Banco Central, Nilton David, se mostrou mais preocupado com o movimento de desancoragem das expectativas de inflação, em evento organizado nesta manhã pelo Banco Pine, especialmente quando suas falas foram comparadas com outras recentes feitas pelo mesmo dirigente. O estrategista de uma instituição financeira nota que, na semana passada, David tinha argumentado que o BC não possuía “uma meta para as expectativas de inflação", declaração que foi interpretada como menos preocupada com a dinâmica de desancoragem. Hoje, este interlocutor notou uma mudança no discurso do dirigente do BC, ao avaliar que Nilton David teve uma inclinação mais “hawkish” em seu discurso, se afastando do campo “dovish” para o “neutro". Ao mesmo tempo, o Tesouro Nacional ofertou 16 milhões de LTNs e 5,25 milhões de NTN-Fs em seu leilão semanal de prefixados, montante que superou as expectativas de profissionais de renda fixa. O volume financeiro foi de aproximadamente R$ 15,1 bilhões e o risco ofertado ao mercado (dv01) foi de R$ 3,87 milhões, 10,9% superior à média dos últimos seis meses, segundo cálculos da Necton Investimentos. Pela tarde, dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) mostraram abertura de 85,88 mil vagas de trabalho no Brasil, número bastante inferior ao piso da estimativa de 167 mil postos dos economistas consultados pelo VALOR DATA. A mediana era de criação de 215 mil vagas. Mesmo com o dado, a queda dos DIs se mostrou bastante limitada, em mais um sinal de que vem crescendo a sensação entre participantes de mercado que há pouco espaço para a continuidade do ciclo de cortes na Selic e, portanto, uma disposição baixa para apostar na queda dos juros futuros. “Não muito tempo atrás, uma surpresa negativa dessa magnitude na criação de empregos teria provocado um forte movimento de fechamento de taxas ao longo da curva. Hoje, em contraste, temos um petróleo voltando a cair; um PCE benigno; Treasuries comportados; e agora uma divulgação do Caged vindo materialmente mais fraca até mesmo do que a estimativa mais pessimista. E, ainda assim, não há nenhum sinal relevante de entrada de players apostando na queda das taxas", aponta o estrategista de um banco local. “Conversando com contas locais ao longo da última hora, o tom parece visivelmente menos entusiasmado do que há apenas algumas semanas. Se eu tivesse que resumir o feedback em uma única mensagem, seria esta: há uma percepção crescente de que o espaço para esse ciclo de afrouxamento está ficando cada vez mais limitado, particularmente em um ambiente de deterioração do balanço de riscos", conclui. Segundo o Morgan Stanley, uma valorização sustentada dos DIs continua difícil diante das pressões inflacionárias persistentes no país, além da incerteza mais ampla em torno da persistência dos preços mais altos do petróleo. “Por enquanto, achamos que as expectativas para a taxa terminal também podem recuar, mas esperaríamos que qualquer movimento fosse relativamente rápido e talvez de curta duração, sem desenvolvimentos mais substanciais em relação à reabertura do Estreito de Ormuz”, notam os estrategistas da instituição. De acordo com Ioana Zamfir e Sofia Palacios, a próxima eleição também levanta um debate sobre a trajetória da taxa neutra do país, já que um cenário percebido pelo mercado como fiscalmente ortodoxo provavelmente se traduziria em um nível mais baixo, permitindo um ciclo de afrouxamento monetário mais profundo. “Como a precificação de mercado agora incorpora apenas cerca de 0,5 ponto de cortes, mas o ruído relacionado às eleições se intensificou, acreditamos que o caminho de menor resistência é o de inclinação da curva (bull steepening ou bear steepening, dependendo da direção das próximas manchetes)", escrevem em relatório. A recomendação do Morgan Stanley é por posições aplicadas na inclinação entre os vértices de janeiro 2028 e janeiro 2031. — Foto: Gerd Altmann/Pixabay
Juros futuros fecham em alta com BC cauteloso e leilão do Tesouro
A taxa do DI para janeiro de 2027 passou de 14,055%, no ajuste anterior, para 14,10% e a do DI para janeiro de 2031 avançou de 13,91% para 13,96%








