O secretário de Estado do Trabalho criticou nesta quinta-feira a "lógica miserabilista" defendida na Assembleia da República (AR) em relação à reforma laboral, pedindo apoio para aprovação do diploma, e disse que não houve acordo na Concertação Social devido à "politização"."Como os senhores se devem recordar, em 2024, fizemos um acordo tripartido para valorizar os salários. Encontrámos um cenário de gestão miserabilista, com base em salários baixos [...]. Chegámos hoje aqui ao Parlamento e encontramos uma lógica miserabilista de quanto pior melhor para fiabilizar votos", defendeu o secretário de Estado do Trabalho, Adriano Rafael Moreira, no final da sessão plenária, dedicada ao pacote laboral.O governante criticou, em particular, os deputados do PS por fazerem "afirmações contrárias" ao que está vertido na proposta da reforma laboral. Neste sentido, garantiu que é falso que, no que se refere ao banco de horas, o trabalhador tenha de esperar seis meses. Segundo apontou, o diploma diz que o trabalhador pode solicitar ao empregador a redução de duas horas de trabalho, com a antecedência de três dias. "Pode iniciar-se com o trabalhador, que pode acumular créditos e, só mais tarde, a empresa tem de fazer o contraponto desses créditos", insistiu, acrescentando que uma mentira muitas vezes repetida "apenas nos identifica ideologicamente e não passa a verdade".Adriano Rafael Moreira disse ainda que a facilidade em despedir "é algo que talvez o PCP domine", depois de o partido ter feito críticas sobre esta matéria. O governante referiu que este tema não é abordado na proposta de lei e que, se o PCP quiser mexer nesta matéria, o Governo vai dizer que "não é oportuno". Por outro lado, vincou que o partido liderado por Paulo Raimundo tem medo de que a central sindical CGTP desapareça com a liberalização da negociação colectiva.