Credcesta — Foto: Reprodução O esquema estruturado pelo Banco Master para explorar o mercado de cartão consignado virou uma dor de cabeça a servidores de Macapá. Relatos obtidos pela coluna apontam superendividamento e parcelas infindáveis que, em algumas situações, superam os 80 anos. Parte dos casos foi comunicada à prefeitura no final de abril por meio de um ofício enviado pelo coletivo de Lutas Educação a Mil, representante dos profissionais de educação da capital do Amapá. Nele, o grupo pede a suspensão imediata dos descontos em folha relacionados ao cartão Credcesta, vinculado ao Master. Segundo o documento, a solicitação tem como base relatos de aproximadamente 300 servidores afetados, com problemas que vão desde o comprometimento da margem consignável e falta de acesso a contratos até aplicação de juros abusivos e descontos indevidos, inclusive após a quitação. Em um dos exemplos citados, uma servidora tem nada menos que 999 parcelas de R$ 437 a pagar. Em outro caso, o valor que está sendo pago equivale a quase 200 vezes o valor emprestado. E há ainda quem afirme que o número de parcelas não é informado no contracheque. Ao menos desde 2021, sob a gestão de Dr. Furlan (PSD), o município firmou convênios e acordos de comodato (empréstimo gratuito de coisas que não podem ser substituídas por outras iguais) relacionados a produtos e empresas associadas ao Master. Entre elas, está a Consiglog, conhecida no mercado por pertencer a Augusto Lima, um dos sócios fundadores do Master, e que já teve como sócios fundos da Reag e o ex-CEO da gestora João Carlos Mansur, como mostrou a colunista Mariana Barbosa. No início deste ano, a Caixa aderiu ao sistema digital de consignação por meio do qual foi autorizada a conceder empréstimos, financiamentos ou cartão de crédito sob garantia de consignação em folha de pagamento a servidores e pensionistas do município. O termo de adesão foi publicado no diário oficial em 3 de fevereiro. Extratos mostram ainda que foram firmados convênios com a PKL One Participações, que atua como controladora e gestora do Credcesta. A prefeitura foi questionada se alguma medida foi tomada e se os acordos seguem em vigor mesmo após a liquidação do banco e os desdobramentos do escândalo. Apesar dos contatos feitos desde segunda-feira, não houve retorno até o momento.