Com o noticiário de guerra direcionando o humor dos mercados, os contratos futuros de ouro reverteram as perdas do início da sessão e encerraram esta quinta-feira (28) em forte alta. A notícia de que um acordo entre Estados Unidos e Irã depende apenas da aprovação do presidente Donald Trump levou o petróleo a se afastar das máximas e deu alívio aos ativos. Na Comex, a divisão de metais da New York Mercantile Exchange (Nymex), os contratos futuros de ouro com entrega para junho encerraram em alta de 1,14%, cotado a US$ 4.499,3 por onça-troy. Os ataques militares entre os Estados Unidos e o Irã reviveram os receios de uma escalada na relação entre os países e puseram à prova, mais uma vez, o cessar-fogo vigente. Diante da piora na percepção de risco, o ouro chegou a cair mais de 1% e operar abaixo da marca de US$ 4,4 mil por onça-troy. O movimento, no entanto, foi revertido após uma reportagem do site Axios. A notícia dizia que representantes dos governos dos EUA e do Irã chegaram a um acordo sobre um memorando de entendimento para estender o cessar-fogo em vigor por 60 dias e iniciar negociações sobre o programa nuclear de Teerã. Os termos, no entanto, ainda precisariam ser aprovados por Trump. O Lombard Odier avalia que a recente consolidação do preço do ouro não compromete a perspectiva de preços mais altos no médio prazo. O banco suíço projeta que o ativo atingirá a faixa de US$ 5,4 mil por onça-troy em 12 meses, suportado pela demanda resiliente de bancos centrais e investidores privados, devido à incerteza fiscal e às preocupações cambiais. “O conflito no Oriente Médio não é a única variável que influencia os preços. A perspectiva de médio prazo também é determinada pela existência de mudanças na demanda e no ambiente geopolítico e macroeconômico mais amplo. Nesse sentido, não prevemos nenhuma mudança e, portanto, mantemos uma visão positiva sobre o ouro”, disse Kiran Kowshik, estrategista de câmbio do Lombard. — Foto: Chris Ratcliffe/Bloomberg