No último dia 20 de maio, o Timor-Leste celebrou o vigésimo quarto aniversário da restauração de sua independência. O país insular asiático originalmente declarou independência em 1975, interrompida por décadas de brutal ocupação indonésia, que vitimou um quarto da população timorense em um genocídio ainda pouco conhecido do grande público. Com o português como idioma oficial, língua falada por parte de uma população que ama o Brasil e nos chama de “irmãos mais velhos”, o aprofundamento de relações com o Timor-Leste apresenta uma ótima oportunidade para a política externa brasileira. PUBLICIDADEPortugal e Brasil tiveram papel crucial na restauração da independência do Timor-Leste. Após 1999, brasileiros professores, profissionais de saúde e juristas ajudaram a estruturar serviços públicos e formar profissionais locais. Além da cooperação estatal, organizações civis e acadêmicos também atuaram no país. A missão da ONU entre 1999 e 2002 foi liderada pelo brasileiro Sérgio Vieira de Mello, que transferiu o poder a Xanana Gusmão. A influência brasileira também marca a cultura timorense, com a música, e os corações timorenses serão de Brasil e de Portugal na Copa do Mundo.Os laços culturais entre Brasil e Timor-Leste reforçam uma relação que hoje também oferece grande potencial econômico. Apesar da pobreza e dos baixos indicadores de PIB per capita e IDH, o país avançou nas últimas décadas com recursos de seu fundo soberano de petróleo e gás. O projeto Greater Sunrise, desenvolvido com a Austrália, deve injetar bilhões na economia timorense. A bandeira nacional de Timor-Leste é hasteada durante um desfile militar que marca o 24º aniversário da Restauração da Independência em Tasitolu, Díli, em 20 de maio de 2026 Foto: Valentino DARIELL DE SOUSA / AFPPrincipalmente, desde 2025, o país integra a ASEAN e presidirá o bloco em 2029, ampliando sua inserção econômica e diplomática. A adesão foi impulsionada pelo presidente José Ramos-Horta, Nobel da Paz em 1996 e um dos principais diplomatas das últimas décadas, que conduziu uma política fortalecendo relações não só com os vizinhos Indonésia e Austrália, mas também com Portugal, China, Índia e Emirados Árabes Unidos.A ASEAN reúne algumas das economias que mais crescem no mundo e, como bloco, é o terceiro maior destino de exportações brasileiras. Fortalecer a relação com nosso “irmão mais novo” dá ao Brasil uma valiosa porta de entrada para a ASEAN. O governo timorense pretende indicar o Brasil como parceiro de diálogo no grupo durante sua vindoura presidência. Até lá, cabe ao Brasil fazer mais para consolidar tais relações. PublicidadePrincipalmente, é necessário concretizar a construção da nova embaixada brasileira em Díli, em terreno de prestigiosa localização cedido pelo governo timorense ainda em 2009. Lula, de boas relações com Ramos-Horta, visitou o Timor-Leste em 2012, e o líder timorense esteve em sua posse em 2023, discutindo o tema da nova embaixada, que reunirá não apenas a representação brasileira, mas também um centro cultural do Instituto Guimarães Rosa.Leia tambémVídeo: homem pula no trilho para resgatar filho e ambos sobrevivem após trem passar sobre os doisAlém de Trump, Lula deve se reunir com China e Vietnã e avalia pedidos de Camboja e Timor-LesteEclipse solar híbrido: fenômeno raro é observado em países da Oceania e Ásia; veja imagensQuestões orçamentárias e burocráticas foram agravadas pelo desinteresse do governo Bolsonaro, que rebaixou as relações com os países da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa e fechou sete embaixadas. É necessário que o Brasil recupere o tempo perdido e conclua esse processo da nova embaixada até 2029, para proveito não apenas das relações bilaterais com nossos “irmãos mais novos” quanto também benefício das relações econômicas com a ASEAN.
Opinião | Brasil precisa aprofundar laços com o Timor Leste para ampliar sua inserção geopolítica no Pacífico
Os laços culturais entre os países reforçam uma relação que hoje também oferece grande potencial econômico















