O ministro da Administração Interna, Luís Neves, escusou-se a comentar a megaoperação da Polícia Judiciária (PJ) que visa câmaras e juntas de freguesia socialistas e que levou a que a sede do PS seja alvo de buscas. Do lado dos partidos, Inês Sousa Real, líder do PAN, e Rui Tavares, do Livre, defenderam o reforço da transparência, enquanto Mariana Leitão, presidente da Iniciativa Liberal, considerou que "não é novidade" que PS e PSD estejam envolvidos em situações de opacidade e ilegalidade no poder local.À margem da 4.ª Conferência Bola Branca, em Lisboa, Mariana Leitão disse esperar que a "justiça faça o seu trabalho" e deixou críticas ao PSD e ao PS. "Infelizmente, não é novidade que os dois partidos que vão disputando o poder entre eles no nosso país estão sempre envolvidos num conjunto de situações de grande opacidade, até mesmo algumas de ilegalidades, no exercício do poder político", atirou.A líder dos liberais pediu que, através de casos como este, os cargos públicos passem a ser exercidos "com muito mais seriedade e com muito mais respeito pelo dinheiro dos contribuintes". "É importante que essas operações decorram, é importante que este sentimento de impunidade acabe de uma vez por todas e que as pessoas se foquem naquilo que interessa, que é servir o cargo que ocupam", frisou.Por sua vez, Inês Sousa Real acredita que o "PS irá colaborar e contribuir para a boa descoberta da verdade", após uma reunião com o presidente da CIP, Armindo Monteiro, na sede da confederação patronal, em Lisboa.A porta-voz do PAN considerou a visão de Mariana Leitão "um pouco exagerada" e rejeitou "particularizar" ou "diabolizar em dois partidos". "O que é fundamental é conseguirmos reforçar os instrumentos de transparência da governação, seja ela a nível nacional ou municipal", sublinhou.Para a deputada única do PAN, "casos em 'casinhos', infelizmente, há em todos os partidos". "Por isso, não podemos estar a achar que somos superiormente morais a qualquer tipo de outra força política", acrescentou.Pelo Livre, Rui Tavares alertou que os políticos do "campo progressista" que pretendem substituir a actual governação têm de ser "absolutamente límpidos". "Num momento em que queremos que o ciclo que nós temos na política actual, que é um ciclo conservador, venha a ser substituído por um ciclo progressista, é muito importante que os líderes do campo progressista sejam absolutamente límpidos em relação a qualquer questão que tenha a ver com suspeitas de gerir, no caso, autarquias, sem ter em conta o superior interesse, que é o interesse público das coisas serem feitas de forma transparente", avisou.O porta-voz do Livre argumentou que este tipo de casos "aproveitam, muitas vezes, aos inimigos da democracia", ainda que "a moral para fazer essas críticas seja pouca", referindo que o líder do Chega, André Ventura, "está por todo o lado no caso Tutti-Frutti" – iniciado em 2018 e que investiga a alegada troca de favores entre militantes do PS e PSD na capital.Luís Neves em silêncioDo lado do Governo, o ministro da Administração Interna, Luís Neves, escusou-se a comentar esta questão, defendendo que cabe à investigação criminal e à justiça tratarem deste tipo de casos.Questionado pelos jornalistas sobre se crimes como os agora investigados exigem mais legislação ou outro tipo de medidas, o governante respondeu que o seu papel é manter "silêncio". "Exige por parte do ministro da Administração Interna silêncio. É investigação criminal, não tenho a ver com essa investigação criminal", declarou, recordando que quando foi director da Polícia Judiciária deu o seu contributo no combate a este tipo de crimes."Não comento nem investigações, nem investigação criminal, nem direito. É o trabalho da investigação criminal e é o trabalho judicial, portanto, não há nada que possa, ou deva, ou deseje dizer", insistiu.A PJ desencadeou nesta quinta-feira uma megaoperação, a "Operação Imergente", que visa câmaras e juntas de freguesia lideradas pelo PS que contrataram militantes e empresas destes para lhes prestarem serviços.