O Índice de Preços ao Produtor (IPP), conhecido como a inflação da indústria ou de “porta de fábrica”, por considerar os preços sem impostos e fretes, subiu 2,63% em abril, mostram os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Foi a maior alta mensal em mais de quatro anos, desde março de 2022 (3,12%). O número também aponta aceleração ante março, quando o aumento tinha sido de 2,28%. No resultado em 12 meses até abril, o IPP passou para o campo positivo e teve alta acumulada de 1,07%. Até março, havia perda acumulada de 0,12%. Em 2026, até abril, os preços medidos pelo índice avançaram 5,12%. É a terceira maior alta para um mês de abril desde 2014, quando começa a série histórica da pesquisa. Vinte e uma das 24 atividades acompanhadas pelo IPP tiveram retração de preços em fevereiro. O IPP é formado por dois índices: o da indústria de transformação e o da indústria extrativa. Na indústria de transformação, houve alta de 2,51% em abril, ante aumento de 1,64% em março. Em 12 meses, há expansão de 0,22%, ante queda de 2,14% no resultado até março. Já o IPP da indústria extrativa subiu 4,92% em abril. Neste caso, houve desaceleração da alta, que tinha sido de 16,43% em março. Nos 12 meses até abril, o resultado acumulado é de aumento de 20,29%, mais que o dobro dos 9,50% até março. Produtos químicos Com a guerra no Oriente Médio, as indústrias de outros produtos químicos e de refino de petróleo e biocombustíveis responderam por mais da metade da inflação da indústria em abril. Os preços de outros produtos químicos avançaram 9,91%, com impacto de 0,80 ponto percentual da taxa do IPP. No refino de petróleo e biocombustíveis, o aumento foi de 6,44%, com influência de 0,63 ponto percentual. Juntas, as duas atividades responderam por 1,43 ponto percentual da taxa de 2,63% do IPP geral de abril, ou 54,4% da alta. Outros ramos industriais ligados à cadeia de petróleo também tiveram contribuição importante para a inflação da indústria em abril. Os preços de borracha e plástico subiram 7,31% e o das indústrias extrativas cresceram 4,92%. De acordo com Alexandre Brandão, gerente de análise e metodologia, os resultados foram fortemente influenciados pelo contexto internacional. “A explicação para o impacto na cadeia petrolífera está no conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã. Então, se olharmos o resultado positivo de abril contra março de 2026 (2,63%), vemos que é o maior resultado desde março de 2022, quando foi de 3,12%. Interessante observar que são dois momentos em que os conflitos internacionais estão impactando essas cadeias produtivas. Lá em 2022, era o início da guerra entre a Rússia e a Ucrânia”. — Foto: Pixabay
Inflação da indústria medida pelo IPP sobe 2,63% em abril, a maior alta desde março de 2022
Indústrias de outros produtos químicos e de refino de petróleo e biocombustíveis responderam por mais da metade da inflação do setor no mês















