A inclusão de pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) no mercado de trabalho vem ganhando espaço no Brasil, mas os dados mostram que esse movimento ainda é concentrado e desigual. Levantamento do Infojobs revela que a maior parte das vagas destinadas a esse público está concentrada em setores operacionais, com forte predominância de contratos formais e concentração regional no Sudeste. De acordo com Hosana Azevedo, Gerente Sênior da Redarbor Brasil, detentora do Infojobs, os números refletem um momento de transição do mercado. "Existe uma evolução clara na abertura de vagas, mas ainda vemos um padrão de concentração em funções mais estruturais e repetitivas. O desafio agora é ampliar esse acesso para posições mais estratégicas e diversificadas", analisa. Onde estão as oportunidades Os dados mostram que as vagas para profissionais com TEA estão majoritariamente concentradas em áreas operacionais e de suporte. Entre os setores com maior volume de oportunidades, destacam-se: Comercial e VendasLogísticaAdministraçãoAlimentação e Gastronomia Já quando se observa a especialização das vagas, o padrão se repete. As funções mais recorrentes incluem: AtendimentoLojas e ShoppingAdministração GeralLogística "Na prática, isso indica que o mercado ainda associa a contratação de pessoas com TEA a atividades mais estruturais, com rotinas previsíveis e menor variabilidade", explica a especialista do Infojobs. Segundo Hosana, esse recorte revela tanto um avanço quanto uma limitação. "As empresas começam a entender o potencial desses profissionais, mas ainda operam dentro de zonas de conforto. Falta evoluir para uma visão mais ampla de competências, que vá além do operacional", afirma. Estabilidade como regra Outro dado relevante é o tipo de vínculo empregatício. A ampla maioria das vagas destinadas a profissionais com TEA é para contratação efetiva: Efetivo (CLT): 96,5% das vagasTemporário: 1,3%Estágio: 0,7%Outros formatos: menos de 1% Para Hosana, esse dado é positivo, mas também estratégico. "O modelo CLT predominante mostra que as empresas estão buscando relações de longo prazo, o que é essencial para inclusão real. Ao mesmo tempo, ainda há pouca experimentação com formatos como estágio, que poderiam ser portas de entrada importantes", avalia. Sudeste concentra quase 70% das vagas A distribuição geográfica reforça a desigualdade no acesso às oportunidades. O Sudeste lidera com ampla vantagem: Sudeste: 67,7%Sul: 18,3%Nordeste: 6,3%Centro-Oeste: 5,4% A concentração regional acompanha o eixo econômico do país, mas também evidencia um desafio de inclusão fora dos grandes centros. "Quando olhamos para regiões fora do Sudeste, vemos uma disparidade importante. Isso não é só uma questão de oferta de vagas, mas de maturidade das empresas em lidar com diversidade e inclusão de forma estruturada", explica Hosana. A evolução no volume de vagas ao longo dos meses indica que o tema está ganhando relevância dentro das empresas. Ainda assim, a análise de mercado aponta que a inclusão de pessoas com TEA segue em estágio inicial. Para Hosana, o próximo passo passa por mudança de mentalidade. "Não se trata apenas de abrir vagas, mas de redesenhar processos, capacitar lideranças e entender que diversidade também é uma estratégia de negócio. As empresas que avançarem nisso tendem a ganhar em inovação, produtividade e reputação", conclui.