O chamado Conselho da Paz criado por Donald Trump para reconstruir Gaza e resolver conflitos está mergulhado em uma série de problemas legais e sua conta bancária tem saldo zero, apesar das promessas bilionárias de financiamento, segundo o jornal Financial Times. Criado do zero em janeiro por Trump, que supostamente deverá dirigi-lo pessoalmente mesmo após deixar a Casa Branca, o Conselho não recebeu um único dólar, segundo o jornal, que cita quatro fontes próximas ao processo. Em vez de utilizar um fundo administrado pelo Banco Mundial e aprovado pela ONU, o Conselho recebeu doações diretamente em uma conta do banco JPMorgan, declarou um porta-voz da iniciativa. De acordo com o FT, "não existe nenhum mecanismo independente de transparência". Trump discursa no Conselho da Paz em Gaza — Foto: MANDEL NGAN / AFP Trump concebeu de forma discricionária o mecanismo para reconstruir Gaza, onde Israel e o Hamas concluíram em outubro um cessar-fogo sob pressão dos Estados Unidos. Dois presidentes sul-americanos, o argentino Javier Milei e o paraguaio Santiago Peña, apoiaram com entusiasmo a iniciativa de Trump. O presidente da Indonésia, Prabowo Subianto, por exemplo, descartou que seu país pagasse os 1 bilhão de dólares (R$ 5,63 bilhões) exigidos. Até agora, há depósitos no valor de "zero dólar" na conta aberta especialmente no Banco Mundial, afirmou uma fonte ao FT. Trump confirma convite a Lula para 'Conselho da Paz', e elogia: 'Gosto dele' O jornal informou que pequenos desembolsos na conta do JPMorgan permitiram pagar o escritório do "Alto Representante" do Conselho, Nikolai Mladenov. O Conselho da Paz "prestará contas sobre suas finanças" ao próprio conselho diretor, integrado por integrantes do governo Trump e outros assessores, "quando for considerado oportuno", acrescentou a fonte da iniciativa. Os Emirados Árabes Unidos destinaram 100 milhões de dólares (R$ 563 milhões) para formar uma nova força policial em Gaza, mas os recursos permanecem congelados.