Mora e Alcobaça já registaram valores recorde de temperaturas máximas em Maio, enquanto Odemira e Lamas de Mouro observaram também temperaturas mínimas elevadas, quando comparadas com outros meses de Maio. O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) informa que o calor excessivo teve início a 20 de Maio e que “é muito provável que a onda de calor persista e até se possa estender a mais regiões do território continental”. A onda pode durar até 15 dias em alguns distritos.Esta terça‑feira, Mora atingiu os 39,4 graus Celsius e Alcobaça os 36,1, valores que ultrapassam os extremos registados em Maio de 1957 (39 graus Celsius) e de 1978 (35,3 graus Celsius), respectivamente. Feitas as contas, é preciso recuar 69 anos em Mora e 48 em Alcobaça para encontrar os anteriores recordes. Já no que respeita às temperaturas mínimas mais elevadas, o IPMA indica que as estações de Odemira e de Lamas de Mouro registaram 19,9 e 18,9 graus Celsius no passado dia 22 de Maio, valores superiores aos observados em 1999 (19,8) e em 2001 (18,3).Só os mais distraídos podem confessar‑se surpreendidos. Os cientistas têm alertado de forma insistente para a elevada probabilidade de aumento de fenómenos extremos associados às alterações climáticas. Os últimos dias — e noites — vividos na Europa são mais uma prova disso. Noites tropicais, recordes sucessivamente batidos e até mortes associadas ao calor são algumas das manifestações desta onda de calor que atinge o continente na Primavera que, segundo os investigadores, está claramente associada às alterações climáticas.