Pais e familiares de crianças que frequentam a Academia Sonhar e Crescer, na freguesia de Carnide, Lisboa, manifestaram-se nesta segunda-feira, alertando para a existência de indícios de maus tratos físicos e psicológicos aos filhos, impedindo a entrada dos menores na creche.Francisco Cavaneiro, pai de um menino que está prestes a fazer dois anos e que, na semana passada, terá, alegadamente, sido agredido por uma funcionária da creche, sofrendo um traumatismo craniano, foi um dos participantes na manifestação frente à instituição."Estamos aqui na creche, os pais todos, já saíram duas funcionárias e o dono está lá dentro. Uma das funcionárias é a agressora. Já fizemos uma participação na PSP [Polícia de Segurança Pública], ao Departamento de Investigação e Acção Penal, Comissão de Protecção de Jovens e Crianças, e agora vamos para a investigação criminal", disse Francisco Cavaneiro.Testemunho de ex-funcionáriaDe acordo com este pai, o filho entrou no estabelecimento com "seis, sete meses" e nunca, até agora, tinha desconfiado do que se podia passar entre portas. "O meu filho foi alegadamente agredido, viemos a confirmar pelo testemunho de uma ex-funcionária que nos contou tudo", disse à Lusa, explicando que na semana passada a criança teve de ir ao Hospital da Luz, onde lhe foi diagnosticado um traumatismo craniano."Há relatos de funcionários a dizer que ele desmaiou na escola por lhe terem batido, meteram-lhe uma manta por cima", contou, emocionado, lembrando que algumas vezes encontravam "marcas na pele" da criança, mas "nada que levasse a crer no que aconteceu desta vez".De acordo com Francisco, foi depois deste episódio que os pais se juntaram, com queixas de vários filhos com "arranhões nas costas, arranhões na cabeça, nódoas negras e assaduras".O PÚBLICO contactou a creche e falou com um responsável que não quis identificar-se, não confirmando se era o director. "Não vou prestar declarações", referiu, acrescentando que "já está tudo com os advogados", antes de desligar o telefone.
Pais em protesto à porta de creche em Lisboa por alegados maus tratos aos filhos
Pais mantiveram-se em frente à creche para impedir que abra portas. Contactado pelo PÚBLICO, responsável diz que não vai prestar declarações e que “já está tudo com os advogados”.






