Um consenso está surgindo entre os aliados da Otan para convidar os líderes do Japão, Coreia do Sul, Austrália e Nova Zelândia para a cúpula anual que será realizada em Ancara, em julho, disse um alto funcionário do governo turco ao “Nikkei Asia”. Os preparativos finais estão em andamento para convidar os líderes e seus ministros da Defesa para a cúpula de 6 a 8 de julho, com detalhes previstos para serem finalizados já nesta semana, disse a fonte do país anfitrião. "Na Suécia, vimos um consenso surgindo sobre este assunto entre os aliados da Otan", disse o funcionário, referindo-se a uma reunião de ministros das Relações Exteriores realizada no país nórdico na semana passada. "Nenhuma objeção foi levantada pelos Estados-membros em relação ao convite. Estamos trabalhando em diferentes formatos para uma participação significativa dos líderes visitantes." A cúpula ocorrerá em um momento crucial para a aliança, que tem sofrido forte pressão durante o segundo mandato do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Ele vem ameaçando repetidamente retirar-se da Otan, acusando os aliados europeus de não cumprirem seus compromissos de financiamento. Ele se mostrou ainda mais ressentido com a falta de apoio do bloco à guerra que seu governo e Israel travam contra o Irã, um conflito que causou turbulências na economia global. O governo Trump também buscou negociar a paz entre a Rússia e a Ucrânia sem o envolvimento de líderes europeus. Com esses atritos pairando sobre a aliança, há dúvidas se Trump comparecerá à cúpula de julho, embora a Turquia acredite que sim. O país anfitrião não pode decidir unilateralmente convidar nações parceiras de fora do bloco, pois o consentimento de todos os membros da Otan é necessário. Uma vez alcançado o consenso, o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, pode emitir os convites, disse a fonte. Rutte afirmou em uma entrevista coletiva na semana passada que convidou o presidente ucraniano Volodymyr Zelenskyy para participar. Japão, Coreia do Sul, Austrália e Nova Zelândia — conhecidos coletivamente como Indo-Pacífico 4, ou IP4 — não fazem parte da aliança de 32 países, mas são convidados para as cúpulas da Otan desde 2022, embora os líderes japonês e sul-coreano não tenham comparecido no ano passado. O representante oficial expressou o desejo da Turquia de receber a primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, cuja possível presença é vista por Ancara como uma oportunidade para aprofundar a cooperação com o Japão, com foco na indústria de defesa. As duas nações já estão trabalhando em conjunto de forma mais estreita após um evento de negócios de defesa Turquia-Japão realizado em Istambul no início deste mês. No evento – o primeiro desse tipo – entidades estatais da indústria de defesa assinaram uma carta de intenções para maior cooperação. A Turquia possui o segundo maior exército da Otan, depois dos Estados Unidos, e é vista como o flanco sudeste da aliança. Está entre os principais contribuintes para o orçamento da Otan e é uma das participantes mais ativas nas operações de manutenção da paz da aliança. A crescente indústria de defesa da Turquia, exemplificada por seu sucesso em sistemas não tripulados e plataformas navais, tem atraído interesse mundial – inclusive do Japão e da Coreia do Sul – aumentando sua influência diplomática em um momento em que os Estados Unidos estão reavaliando seu próprio nível de engajamento defensivo com os aliados. A cúpula de Ancara também proporcionará oportunidades para reuniões bilaterais entre os líderes participantes. Um encontro entre o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, e Takaichi também poderá ocorrer, caso ela aceite o convite esperado. A Otan e o IP4 buscarão expandir ainda mais a cooperação em áreas como segurança marítima, proteção de infraestrutura submarina, contraterrorismo e defesa cibernética. Tarja Jaakkola, secretária-geral adjunta da Otan para indústria de defesa, inovação e armamentos, declarou recentemente à imprensa que o Japão entrou em contato com o Acelerador de Inovação em Defesa da Otan para discutir tecnologias de próxima geração em áreas como segurança cibernética e inteligência artificial. Caso o país ingresse no Acelerador de Inovação em Defesa para o Atlântico Norte, será o primeiro país fora da Otan a fazê-lo. Jaakkola também revelou que estão em andamento discussões com o IP4 sobre a participação no projeto Starlift, uma iniciativa da Otan para criar uma rede de locais de lançamento de satélites.