Bolívia aprova lei que permite presidente usar militares para controlar protestos Texto aprovado elimina limite ao estado de exceção. País enfrenta quase um mês de protestos e bloqueios que causam falta de alimentos e combustível. A Câmara dos Deputados eliminou uma norma de 2020 que limitava o poder presidencial. A medida foi aprovada por mais de dois terços dos parlamentares. Os bloqueios de estradas e manifestações já duram quase um mês no país. A crise provoca grave desabastecimento de alimentos, combustíveis e remédios. Grupos de agricultores e movimentos ligados ao ex-presidente Evo Morales lideram a oposição. Eles exigem mudanças econômicas e a renúncia do atual mandatário. Como resposta ao descontentamento popular, Rodrigo Paz anunciou uma redução de 50% em seu salário. Os ministros bolivianos também terão os vencimentos cortados pela metade. Bolívia entra na 4º semana de manifestações contrárias ao governo O Congresso da Bolívia abriu, nesta terça-feira (26), caminho para que o presidente Rodrigo Paz declare estado de exceção, o que permitiria o uso das Forças Armadas e a restrição de liberdades para conter os protestos que exigem sua renúncia. Com mais de dois terços dos votos, a Câmara dos Deputados eliminou uma norma que, desde 2020, limitava a capacidade do presidente de decretar estados de exceção. Como o dispositivo já havia sido derrubado pelo Senado, Paz fica agora com o caminho livre para adotar a medida. “Fica sancionada a presente lei”, afirmou o presidente do Legislativo, Roberto Castro, após mais de cinco horas de debate em sessão virtual da qual participaram 117 dos 130 deputados. A secretaria da Câmara informou que a proposta foi aprovada com “mais de dois terços” dos votos. Seis meses após assumir a Presidência, Rodrigo Paz enfrenta manifestações de diversos setores que cobram mudanças na condução política e econômica do governo. Os grupos mais críticos, entre eles agricultores e organizações sociais ligadas ao ex-presidente Evo Morales, chegam a pedir a renúncia do presidente. O governo acusa Morales de incentivar os protestos, o que o ex-presidente nega. No domingo (24), Morales defendeu a convocação de novas eleições em até 90 dias e afirmou que a “pacificação” do país depende da saída de Paz.Morales também enfrenta problemas na Justiça. Ele foi declarado em desacato por não comparecer ao início de um julgamento em que é acusado de suposto tráfico de pessoas. Manifestantes chutam bomba de gás lacrimogêneo lançada por policiais em meio a protestos em La Paz, na Bolívia — Foto: JORGE BERNAL / AFP VÍDEOS: mais assistidos do g1 Bolívia
Bolívia libera presidente usar militares para controlar protestos | G1
Texto aprovado elimina limite ao estado de exceção. País enfrenta quase um mês de protestos e bloqueios que causam falta de alimentos e combustível.










