PUBLICIDADE Dose já está em testes com animais e deve avançar para estudos com humanos em poucos meses Trabalhadores durante surto de Ebola em Uganda. — Foto: Badru KATUMBA / AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 26/05/2026 - 15:00 Oxford e Instituto Serum aceleram vacina experimental contra Ebola A Universidade de Oxford avança no desenvolvimento de uma vacina experimental contra o Ebola, utilizando a base da vacina Covid-19 em parceria com o Instituto Serum, da Índia. Estudos em animais já estão em andamento, com previsão de testes humanos em dois a três meses. O surto atual na RDC e Uganda motivou a OMS a declarar emergência internacional. A Gavi apoia a produção acelerada, enquanto tratamentos potenciais, como o remdesivir, aguardam testes. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A produção de uma vacina experimental contra o ebola desenvolvida pelos mesmos criadores de uma dose contra a Covid deve começar em breve. Estudos em animais estão em andamento, e pesquisadores da Universidade de Oxford, no Reino Unido, correm para disponibilizar a ferramenta muito necessária para enfrentar o surto que avança rapidamente. Se tudo der certo, os ensaios clínicos do imunizante, já em humanos, podem começar em dois a três meses, afirmou Teresa Lambe, chefe de Imunologia de Vacinas do Instituto de Ciências da Pandemia da universidade, em uma coletiva de imprensa: — Estamos cautelosamente otimistas em relação a esse cronograma. Estudos em animais, que são necessários para que uma vacina possa ser testada em humanos, já começaram, e outros devem começar em breve. A equipe de Oxford trabalha para enviar o material inicial necessário para fabricar a vacina ao seu parceiro, o Instituto Serum, da Índia, “o mais rápido possível". — Esperamos ter doses clínicas, se necessário, dentro de dois a três meses, se tudo correr bem — complementou Teresa. Não existe vacina ou tratamento aprovado para a espécie Bundibugyo do vírus ebola, que é o responsável pelo surto atual na República Democrática do Congo (RDC) e em Uganda. Pelo menos outra vacina também está em desenvolvimento, mas a expectativa é que esteja pronta para testes mais tarde do que a de Oxford. No momento, o surto está se espalhando mais rapidamente do que as equipes de resposta conseguem contê-lo, com as mortes suspeitas ultrapassando 220, e centros de tratamento sofrendo ataques devido à desconfiança da população com as autoridades de saúde. No meio de maio, a Organização Mundial da Saúde (OMS) decretou que o cenário representa uma emergência de saúde pública de importância internacional, o estágio mais elevado de alerta do órgão. A vacina de Oxford utiliza a mesma abordagem que serviu de base para a dose contra a Covid desenvolvida por Oxford junto ao laboratório AstraZeneca. Lições aprendidas no desenvolvimento desse imunizante ajudaram a acelerar a pesquisa atual. Vacinas já existentes para outras cepas de ebola não estão sendo consideradas neste momento para profissionais de saúde da linha de frente, afirmou em entrevista Sania Nishtar, diretora-executiva da Gavi. A Gavi, que ajuda a adquirir vacinas em nome de países, afirmou estar disposta a assumir um compromisso de compra antecipada para uma dose contra o ebola assim que houver alternativas prontas. Esse compromisso incentiva fabricantes a investir em testes, acelerar o desenvolvimento e faz com que ele “designem suas equipes principais para esse tema”, disse Nishtar. Vários tratamentos também estão prontos para serem testados, incluindo o antiviral remdesivir, que foi utilizado no tratamento de infecções por Covid-19. Embora exista otimismo em relação ao início dos testes, especialistas alertam que ainda levará muitos meses até que esses produtos, caso se mostrem eficazes, estejam amplamente disponíveis. — Como o desenvolvimento de vacinas é algo peculiar, e como apresenta desafios, acredito que as pessoas não querem prometer demais para depois encontrar um obstáculo que precise ser resolvido; os desenvolvedores de vacinas estão todos avançando o mais rápido que podem — diz Richard Hatchett, CEO da Coalizão para Inovações em Preparação para Epidemias.