Quantia teria custeado influenciadores e veículos nas redes para promover desinformação e ataques a adversários políticos; Dr. Furlan (PSD) é pré-candidato ao governo Dr. Furlan — Foto: Rafael Aleixo/g1 RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 26/05/2026 - 09:00 Ex-prefeito de Macapá é investigado por suposto desvio de R$ 25 mi em milícia digital O ex-prefeito de Macapá, Dr. Furlan (PSD), é alvo da PF por suspeita de desviar R$ 25 milhões para criar uma milícia digital, financiando influenciadores e veículos para promover desinformação e atacar adversários políticos. A "Operação Palanque Digital" investiga o uso de inteligência artificial para manipular conteúdos. Furlan, pré-candidato ao governo do Amapá, renunciou ao cargo em março para evitar cassação. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O ex-prefeito de Macapá Dr. Furlan (PSD), pré-candidato ao governo do Amapá, voltou a ser alvo da Polícia Federal na manhã desta terça-feira, em operação deflagrada para apurar um esquema criminoso que utilizou R$ 25 milhões dos cofres públicos com o objetivo de promover ataques a adversários políticos e produzir de conteúdos manipulados. Furlan foi afastado do cargo em março deste ano, por ordem Supremo Tribunal Federal (STF), em outra ação da PF que apurou um suposto esquema de fraude em licitações para a construção de um hospital na capital. No dia seguinte, ele renunciou ao mandato para evitar ser cassado. Conforme informações do portal g1, há indícios de que pessoas ligadas à milícia digital eram nomeadas em cargos de várias secretarias municipais como forma de pagamento pelas divulgações irregulares. A PF também aponta o uso de inteligência artificial para criar imagens, vídeos, áudios manipulados e deepfakes. Segundo a polícia, a quantia milionária destinada à comunicação pública da prefeitura de Macapá teria sido desviada de sua finalidade original, a partir de "contratos de publicidade institucional", para custear influenciadores digitais, veículos e empresas de comunicação para a divulgação de ações de caráter político-eleitoral. A investigação apura a prática de crimes eleitorais a partir da criação e da operação de uma rede digital de desinformação, de autopromoção política e de ataques a adversários. Conhecido como "prefeitão", Furlan é ativo nas redes sociais e possui cerca de 280 mil seguidores. Intitulada "Operação Palanque Digital", a ação cumpre 35 mandados de busca e apreensão nas cidades de Macapá (AP), Belém (PA) e Canela (RS). Renúncia Furlan renunciou ao cargo no dia 5 de março. No dia anterior, ele foi alvo de uma operação que apura seu envolvimento em um suposto esquema de fraude em licitações firmadas pela Secretaria Municipal de Saúde. Endereços ligados a Furlan e ao vice-prefeito, Mario Neto (MDB), também foram alvos de mandados de busca e apreensão. A motivação para a renúncia partiu da tentativa de evitar a cassação de seu mandato, o que impediria seus planos de concorrer ao governo do Amapá. Logo após a operação que motivou seu afastamento, ele publicou um vídeo para anunciar, "diante dos últimos acontecimentos", sua pré-candidatura como governador. Sem citar a ação policial, ele alegou estar sendo alvo de "ataques e perseguições". A PF apontou indícios de existência de um "esquema criminoso" que envolve agentes públicos, como Furlan e Mario Neto, e empresários. O objetivo é direcionar licitações, desviar recursos públicos e lavar dinheiro no projeto de engenharia e de execução das obras do Hospital Geral Municipal da cidade. Na primeira fase da operação, deflagrada em setembro do ano passado, a polícia também informou que o esquema envolvia o pagamento de propinas. Conforme as investigações, o contrato para as obras no hospital, formalizado em maio de 2024, foi firmado por R$ 69,3 milhões. Ao solicitar o afastamento do prefeito, a PF informou ao Supremo que, durante uma ação controlada na capital do estado, monitorou um veículo do chefe do Executivo local que transportava uma mochila com R$ 400 mil em espécie. As medidas foram atendidas pela Corte.