O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou nesta terça-feira (26) que um acordo com o Irã ainda pode “levar alguns dias”, frustrando expectativas de uma resolução imediata do conflito regional. A declaração ocorre um dia após forças americanas realizarem o que Washington classificou como ataques defensivos no sul iraniano. Ao comentar as ações militares — que atingiram embarcações supostamente preparadas para lançar minas e instalações de mísseis — Rubio afirmou que o Estreito de Ormuz “precisa permanecer aberto de um jeito ou de outro”. “Os estreitos precisam estar abertos e permanecerão abertos de uma forma ou de outra”, disse o secretário a jornalistas durante voo para Jaipur, na Índia. Embora um cessar-fogo esteja oficialmente em vigor desde o início de abril, o Comando Central dos EUA informou na segunda-feira que realizou novos ataques para “proteger tropas americanas de ameaças representadas pelas forças iranianas”. O Irã afirmou ter derrubado um drone furtivo “hostil” com um novo sistema de defesa aérea, segundo agências estatais iranianas, sem detalhar a origem da aeronave. Os ataques americanos ocorreram enquanto o principal negociador iraniano e o chanceler do país estavam em Doha, no Catar, para reuniões com o primeiro-ministro catariano sobre um possível acordo com os EUA que encerre o conflito, segundo uma fonte com conhecimento da visita. Rubio afirmou em Nova Déli que Washington dará “todas as chances” à diplomacia antes de considerar lidar com o Irã “de outra forma”. Segundo ele, há “algo bastante concreto sobre a mesa”, em referência às negociações sobre a reabertura do Estreito de Ormuz e a um diálogo “real, significativo e com prazo definido” sobre o programa nuclear iraniano. Em publicação na rede Truth Social na segunda-feira (25), o presidente dos EUA, Donald Trump, disse que as negociações com Teerã avançavam “bem”, mas alertou para novos ataques caso fracassem. “Haverá um grande acordo para todos, ou nenhum acordo”, escreveu. Em outro sinal da escalada regional, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou que o país intensificará os ataques contra o Hezbollah, grupo apoiado pelo Irã no Líbano. Pouco depois, as Forças Armadas israelenses anunciaram ataques contra infraestrutura do Hezbollah no Vale do Bekaa, no leste libanês, e em outras regiões. Israel e Líbano haviam concordado com um cessar-fogo em meados de abril, mas Israel continuou promovendo bombardeios sob a justificativa de autodefesa contra o Hezbollah, que não integra formalmente o acordo. Conversas em Doha Segundo uma fonte oficial ouvida pela Reuters, as discussões em Doha envolveram o futuro do Estreito de Ormuz e o estoque iraniano de urânio altamente enriquecido. O presidente do banco central iraniano também participou das reuniões para discutir a possível liberação de ativos iranianos congelados como parte de um eventual acordo. O porta-voz da chancelaria iraniana, Esmaeil Baghaei, afirmou anteriormente que o tema nuclear só será negociado após a assinatura de um acordo-quadro. Trump afirma que seu principal objetivo é impedir que o Irã desenvolva armas nucleares a partir de seu estoque de urânio enriquecido. Teerã nega buscar armamentos atômicos. Baghaei acrescentou que o possível acordo ainda não define detalhes sobre a gestão do Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito comercializados globalmente. Segundo ele, o Irã não pretende cobrar pedágio pela passagem de embarcações, mas poderá cobrar por serviços de navegação e proteção ambiental, em um protocolo a ser negociado com Omã, país localizado na margem oposta da hidrovia. O jornal japonês Nikkei informou, citando fonte diplomática do Oriente Médio, que EUA e Irã discutem um plano para reabrir plenamente o estreito cerca de 30 dias após um eventual acordo de cessação das hostilidades. Desde os ataques lançados por EUA e Israel contra o Irã em 28 de fevereiro, o fluxo de embarcações pelo Estreito de Ormuz caiu drasticamente, passando de cerca de 125 a 140 navios por dia para apenas algumas dezenas. O impasse elevou os preços internacionais do petróleo e pressionou custos de combustíveis, fertilizantes e alimentos. O secretário de Estado, Marco Rubio, fala à imprensa — Foto: Julia Demaree Nikhinson/Pool via REUTERS