O lendário percussionista brasileiro Airto Moreira e a sua companheira, na música e na vida, Flora Purim vão ter este ano um documentário assinado pelo realizador de cinema Jom Tob Azulay, autor de filmes como Os Doces Bárbaros (1977), Corações a Mil (1981), O Judeu (1995) ou Estorvo (1998). E a essa aventura associou-se o multi-instrumentista, cantor, compositor e produtor musical Ricardo Bacelar (ex-membro do grupo de rock Hanoi Hanoi). Que não só produziu um disco da dupla, a lançar em simultâneo com o filme, como gravou ele próprio com Airto e Flora um outro álbum, recém-publicado, com o título Maracanós.“Eu fui contactado pelo Jom Tob Azulay para produzir um documentário do Airto e da Flora, que vai estrear-se ainda ano, em festivais (Curitiba e São Paulo), com o nome Flora e Airto e o Som Extraordinário”, explica Ricardo ao PÚBLICO. “E, para esse documentário, foi gravado um álbum do Airto e da Flora, que eu produzi – o documentário é história da gravação desse disco.” Na sequência desse processo, Ricardo e o casal Airto e Flora criaram uma amizade que levou o primeiro a convidá-los a gravar um outro disco, e assim nasceu Maracanós. “O Airto adorou a ideia, entrámos no estúdio e desenvolvemos esse trabalho de uma forma muito espontânea. A gente foi sentando, foi tocando e eu prestigiei muito a característica da música do Airto, que tem muita liberdade, muita criatividade, e que é uma linguagem maravilhosa.”Maracanós, o título, é uma adaptação da palavra Maracatu, nome de uma dança e género musical afro-brasileiro nascido em Pernambuco, substituindo-se o “tu” final por “nós”, o singular pelo plural. “Joga com Maracatu, Maraca e Maracanã”, observa Ricardo. Acaba por ser um jogo onomatopaico que expressa não só o papel do ritmo como do trabalho colectivo. “São músicas propositivas, muito imagéticas, com um carácter imersivo”, acrescenta Ricardo. As gravações foram feitas no decurso de uma residência artística de Airto juntamente com Flora, em meados de 2025, no Jasmin Studio que Ricardo Bacelar montou em Fortaleza, no Ceará.