No início de Maio, a direita uniu-se para aprovar o novo Regime Jurídico das Instituições de Ensino Superior (RJIES), um diploma essencial na gestão das universidades e politécnicos. Entre muitas mudanças que saltaram para a discussão pública, houve detalhes que ficaram debaixo do tapete. Uma das alterações mais relevantes dita a exclusão de boa parte da comunidade académica da participação eleitoral e governativa das instituições. O diploma endossado pelo Governo explicita que apenas professores e investigadores na carreira podem votar e ser eleitos. Ou seja, a maioria dos cientistas e uma parte dos docentes serão excluídos das decisões das instituições de ensino superior.A exclusão de quem tem contratos a prazo (que podem ir até seis anos, no caso dos cientistas) significa um afastamento de uma parte importante dos trabalhadores das instituições de ensino superior, num momento em que o Governo quis o aumento da participação de outros grupos neste novo RJIES, como os antigos alunos.“No meio destas alterações e com pouca transparência, introduziu-se esta cláusula em que os professores e investigadores que não estão na carreira deixam de ter voz”, diz Roberto Martins, investigador precário que desde 2021 está presente no Conselho Geral da Universidade de Aveiro, enquanto membro eleito na categoria de docentes e investigadores. “Tira-nos representatividade”, acrescenta.