Parceria anunciada na gestão de Biden não vingou após o retorno do presidente republicano à Casa Branca André Lucena, professor da Coppe/UFRJ — Foto: Divulgação RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 21/05/2026 - 18:42 Cientistas do Brasil e EUA Mantêm Parceria Energética Sustentável Apesar do governo Trump ter interrompido a parceria energética anunciada por Biden, cientistas do Brasil e EUA mantêm cooperação. Pesquisadores da UFRJ e da Universidade de Maryland desenvolvem cenários climáticos para analisar o impacto do aquecimento global e políticas de energia limpa. A colaboração inclui reuniões e estudos conjuntos, focando na transição energética do Brasil até 2050. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Se a parceria para a transição energética com os Estados Unidos anunciada em 2024 pelo governo Biden não vingou com a gestão de Donald Trump, iniciativas de cooperação entre cientistas dos dois países continuam em vigor. Há mais de quatro anos, pesquisadores do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa em Engenharia (Coppe) da Universidade Federal do Rio de Janeiro e colegas da Universidade de Maryland trabalham juntos desenvolvendo cenários climáticos e energéticos para dar subsídio a análises sobre impactos do aquecimento global e a políticas para o uso de energia limpa no Brasil e no mundo. Baseados em modelos computacionais, os pesquisadores da UFRJ e do Centro para Sustentabilidade Global (CGS, na sigla em inglês) traçam projeções para a evolução das emissões de gases de efeito estufa até o ano 2100. —Com a análise de trajetórias como crescimento econômico, crescimento populacional, desenvolvimento tecnológico, avaliamos como o sistema energético vai migrar para um sistema menos carbono intensivo diante de diferentes cenários — diz o professor André Lucena, do Programa de Planejamento Energético da Coppe/UFRJ. O resultado dos trabalhos ajuda climatologistas do chamado Grupo 1 do IPCC, o painel do clima da ONU, a analisar aumento da temperatura global e seus efeitos futuros sobre regimes de chuva, eventos extremos e a elevação do nível do mar. Na etapa seguinte, cientistas do chamado Grupo 2 têm subsídios para projetar como as mudanças climáticas podem afetar a agricultura, a biodiversidade, a vida nas cidades, a disponibilidade de água e a segurança alimentar, entre outros tópicos. Por fim, o Grupo 3 analisa caminhos para reduzir as emissões de gases de efeito estufa, com, por exemplo, medidas para redução do uso de combustíveis fósseis, adoção de tecnologias de baixo carbono e mudanças no uso da terra. Acordo com a Califórnia Com a integração de dados, a parceria de brasileiros e americanos colabora para ambos os lados. —Nós os ajudamos a compreender as particularidades das emissões do Brasil, especialmente em áreas como agropecuária, uso da terra e desmatamento, que têm peso central aqui — conta André Lucena. Para calibrar as próprias modelagens, o grupo brasileiro utiliza os cenários globais produzidos pelos pesquisadores de Maryland. As equipes realizam reuniões mensais e publicam conjuntamente estudos em revistas científicas internacionais. Um deles, ao analisar diferentes caminhos para o Brasil atingir emissões líquidas zero de CO² até 2050, compara cenários baseados em eletrificação do transporte e no uso de biocombustíveis. A conclusão é de que o país tem vantagens competitivas na bioenergia, especialmente em etanol e biocombustíveis avançados, que podem reduzir os custos da transição energética. O estudo destaca o papel de processos de captura de carbono na geração de bioenergia. E afirma que zerar o desmatamento ilegal e recuperar pastagens degradadas são condições essenciais para cumprir as metas climáticas brasileiras. Assinada em novembro de 2024 na esteira da reunião do G20 no Brasil, no fim do mandato do presidente Joe Biden, a chamada Nova Parceria Brasil-EUA para a Transição Energética saiu do radar com a chegada de Donald Trump à Casa Branca e a retirada dos EUA do Acordo de Paris. — Trump está dando marcha a ré no que Biden fez (em relação às medidas de descarbonização da economia) — diz Shigueo Watanabe Jr., pesquisador do ClimaInfo, integrante da rede Observatório do Clima. Em Brasília, o Ministério das Relações Exteriores confirma que as negociações não avançaram. O Ministério de Minas e Energia não respondeu aos questionamentos do Valor. Do lado americano, a nota divulgada na ocasião do fechamento da parceria não está mais disponível no site da Casa Branca. Na assinatura, o documento previa três pilares para atuação: produção e implantação de energia limpa; desenvolvimento da cadeia de suprimentos de tecnologias de energia limpa; e industrialização verde. Em meio ao recuo da Casa Branca, o Ministério do Meio Ambiente e o governo da Califórnia assinaram, em setembro passado, um memorando de entendimento para intercâmbio técnico e troca de experiências em áreas como mercado de carbono, energia limpa, transporte sustentável, adaptação de cidades às mudanças climáticas, economia circular e outras ações voltadas à mitigação das emissões de gases de efeito estufa. Segundo o Ministério do Meio Ambiente, o plano de ação para implementar o memorando vem sendo discutido entre as duas partes e está “em vias de finalização”. “Enquanto o plano de trabalho é finalizado, deverão ser realizados em breve diálogos sobre a redução de emissões de metano, gestão de resíduos e economia circular”, diz o órgão em nota. As conversas sobre a experiência do mercado regulado de carbono criado pelo governo californiano vêm sendo conduzidas pela Secretaria Extraordinária do Mercado de Carbono no Ministério da Fazenda.
Apesar do governo Trump, cientistas do Brasil e dos EUA mantêm cooperação para transição energética de pé
Parceria anunciada na gestão de Biden não vingou após o retorno do presidente republicano à Casa Branca








