Brasileiros criam empresas, sustentam setores inteiros e respondem por bilhões de dólares da economia no estado americano, mas seguem parcialmente invisíveis nas estatísticas oficiais Flávia Leal, fundadora da Flávia Leal Beauty School (com alunas) — Foto: Divulgação RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 21/05/2026 - 12:25 Brasileiros em Massachusetts: Motor Econômico de US$ 8 Bi Anuais A comunidade brasileira em Massachusetts, especialmente na região de Boston, é um motor econômico fundamental, contribuindo com US$ 8 bilhões para a economia do estado em 2022. Estima-se que até 400 mil brasileiros vivam no estado, muitos deles empreendedores em setores como construção e serviços. Apesar de invisíveis nas estatísticas oficiais, brasileiros fundaram empresas que geram milhares de empregos, enfrentando desafios como acesso a crédito e políticas migratórias restritivas. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A trajetória clássica do imigrante brasileiro nos Estados Unidos — do trabalho de baixa qualificação ao empreendedorismo — deixou de ser uma narrativa individual para ganhar dimensão macroeconômica. Em Massachusetts, especialmente na região de Boston, esse movimento transformou a comunidade em um agente relevante da economia local, com impacto bilionário em produção, consumo e geração de empregos. Trabalhadores brasileiros contribuíram com cerca de US$ 8 bilhões para a atividade econômica do Estado de Massachusetts em 2022. Empresas fundadas por brasileiros responderam por cerca de US$ 5,7 bilhões em atividade econômica, com impacto estimado sobre 82,5 mil empregos diretos e indiretos. Os dados vêm de estudos da University of Massachusetts Boston em parceria com o Instituto Diáspora Brasil, com base no American Community Survey (ACS). Segundo o ACS, cerca de 140 mil brasileiros vivem em Massachusetts, mas estimativas do Ministério das Relações Exteriores e do Consulado-Geral do Brasil em Boston, que consideram subnotificações e imigrantes indocumentados, apontam um contingente maior. —Aproximadamente 400 mil nacionais vivem no Estado de Massachusetts. Na região da Grande Boston, estima-se uma população de 80 mil brasileiros — afirma o vice-cônsul Lauro Beltrão. Perfil empreendedor A discrepância reflete limitações metodológicas — o censo americano não identifica brasileiros diretamente — e a presença de indocumentados. Os brasileiros se concentram em setores como construção civil, restaurantes, serviços domésticos, estética e comércio de pequeno porte. Um estudo de 2024 conduzido por pesquisadores ligados ao Diáspora Brasil mostra a existência de cerca de 25 mil negócios ligados à comunidade brasileira. A presença brasileira no estado remonta aos anos 1970, impulsionada por crises econômicas no Brasil. Nos últimos anos, o perfil migratório se diversificou, com maior presença de famílias e empreendedores, que consolidaram a transição de uma comunidade temporária para um grupo estabelecido. A mudança se reflete na sofisticação dos negócios e na diversidade de trajetórias. Parte relevante do processo ocorre em setores ligados diretamente ao consumo da própria comunidade. É o caso da empresária Flávia Leal, fundadora da Flávia Leal Beauty School, uma escola de formação em estética voltada a imigrantes. Ela chegou jovem aos Estados Unidos e passou por diferentes empregos antes de empreender. A empresária conta que identificou uma demanda na comunidade brasileira por serviços e formação na área de beleza. Em 2025, Flávia faturou US$ 2 milhões apenas com a escola de beleza. Ela também tem negócios nos segmentos têxtil e de construção: — A escola cresceu além da expectativa inicial. Já foram quase 20 mil profissionais formados ao longo de quase 16 anos. O caso ilustra um padrão: a identificação de nichos pouco atendidos e a criação de negócios voltados tanto à comunidade brasileira quanto a outros públicos. Renato Valentim, empresário, fundador do Boston City Group — Foto: Divulgação Segundo Renato Valentim, empresário com atuação nos setores de hospitalidade e desenvolvimento imobiliário, a experiência inicial em funções operacionais pode servir como base e impulso para a criação de negócios próprios. Valentim começou lavando pratos em um restaurante. Mais tarde, fundou o Boston City Group, grupo multissetorial com operações nos Estados Unidos e no Brasil que emprega cerca de quatro mil pessoas e registra uma receita anual superior a US$ 200 milhões. No setor imobiliário, a estrutura dos negócios também evoluiu. Victor Queiros, fundador da Checkmate Real Estate, diz que há uma crescente profissionalização. Segundo ele, a empresa atua de forma verticalizada, desde a captação de recursos até a execução e monetização dos projetos, seguindo as regras do mercado americano. Victor Queiros, fundador da Checkmate Real Estate Group — Foto: Divulgação —Nas obras, trabalhamos com equipes subcontratadas formadas por brasileiros, americanos e hispânicos, ultrapassando cem profissionais envolvidos por projeto — diz Queiros. Política migratória Apesar do avanço, a relevância econômica convive com fragilidades. Parte da comunidade ainda enfrenta barreiras de acesso a crédito, serviços financeiros e regularização migratória, o que limita o potencial de expansão e formalização. Além disso, a concentração em setores sensíveis ao ciclo econômico, como construção e serviços, expõe os brasileiros a oscilações em períodos de desaceleração. Representantes da comunidade apontam que mudanças no ambiente político e migratório já influenciam consumo e contratação. —As políticas migratórias restritivas dos EUA têm causado impactos significativos pela escassez de mão de obra, em razão dos deportados, retornados e pessoas com medo de sair de casa para trabalhar — analisa Álvaro Lima, diretor do Diáspora Brasil. Ainda assim, em cidades como Framingham, Marlborough e Worcester, a presença brasileira tem sido associada à revitalização econômica local, com abertura de negócios, ocupação de imóveis e dinamização do comércio. Para Mariana Dutra, que em abril organizou um evento com empreendedores brasileiros em Boston, o fenômeno já ultrapassou a lógica de nicho. — Além de essa comunidade ser numericamente grande, ela tem um impacto econômico muito grande no mercado de trabalho e na economia — avalia.
Boston cresce com imigrantes: Comunidade brasileira em Massachusetts pode chegar a 400 mil pessoas
Brasileiros criam empresas, sustentam setores inteiros e respondem por bilhões de dólares da economia no estado americano, mas seguem parcialmente invisíveis nas estatísticas oficiais













