O líder da oposição de Israel, Yair Lapid, disse nesta segunda-feira (25) que os detalhes da proposta em discussão entre Washington e Teerã são “preocupantes” e não alcançam nenhum dos objetivos estabelecidos pelos israelenses ao dar início à guerra contra o Irã em 28 de fevereiro. Para ele, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu não exerceu influência o suficiente para conseguir um acordo melhor. “O acordo é ruim para Israel, ruim para a região, ruim para os cidadãos do Irã”, disse Lapid, que integra uma coalizão para derrotar Netanyahu nas eleições deste ano, a jornalistas em Jerusalém. “Israel é um Estado soberano. Não somos um Estado vassalo nem um protetorado”, acrescentou. Ao lançarem ataques contra o país persa há quase três meses, tanto Netanyahu quanto Donald Trump tinham como propósito eliminar a capacidade do Irã de produzir armas nucleares, destruir o programa iraniano de mísseis balísticos e até mesmo criar condições para mudar o governo da República Islâmica. Segundo autoridades regionais, a proposta atualmente em negociação prevê que o Irã entregue suas reservas de urânio altamente enriquecido e permita a reabertura do Estreito de Ormuz em troca do fim do bloqueio americano aos portos iranianos e do alívio das sanções. As questões mais sensíveis envolvendo o programa nuclear iraniano, porém, seriam tratadas apenas em negociações separadas ao longo de 60 dias. Ainda não há definição sobre se o entendimento incluirá o programa de mísseis de Teerã ou seu apoio a grupos armados na região, por exemplo. Apesar de ter agradecido a Trump, Lapid criticou o fato de Netanyahu ter permitido que os EUA negociassem um acordo sem a participação de Israel, o que, para ele, deixa o governo isarelense no “ponto mais baixo de sua história em termos de capacidade de influenciar as decisões de Washington”. Na semana passada, o presidente americano chegou a dizer a repórteres que o premiê israelense faria tudo o que ele quisesse. Netanyahu, por sua vez, afirma ter dito repetidas vezes a Trump que Israel mantém “liberdade de ação” contra ameaças em qualquer cenário. Líder do partido centrista Yesh Atid, Lapid foi primeiro-ministro de Israel durante um curto período em 2022 em um sistema de rodízio com Naftali Bennett, então chefe de um pequeno partido conservador. A coalizão formada pelos dois pôs fim a 12 anos seguidos de governo de Benjamin Netanyahu. O ex-primeiro-ministro de Israel, Naftali Bennett, à esquerda, e Yair Lapid chegam para uma entrevista coletiva para anunciar uma coalizão entre seus partidos para as próximas eleições, no domingo, 26 de abril de 2026, em Herzliya — Foto: AP/Ariel Schalit Lapid e Bennett uniram-se novamente numa tentativa de derrotar Netanyahu nas eleições previstas para o fim de outubro. Um dos poucos políticos israelenses que ainda defendem a independência palestina, Lapid tem dito que o tema não fará parte da agenda do próximo governo. Para ele, o trauma causado pelos ataques do Hamas em 7 de outubro de 2023 e os conflitos que se seguiram tornaram essa discussão inviável neste momento. Ele ponderou, por outro lado, que não concordaria com medidas unilaterais que possam inviabilizar a criação futura de um Estado palestino. Lapid ainda acrescentou que recebeu garantias de Bennett, ex-líder dos colonos na Cisjordânia, de que Israel não tomará medidas para anexar territórios ocupados por Israel. Outra garantia do líder oposicionista é a de que ele não recorrerá a qualquer cooperação com partidos árabes para formar uma coalizão que derrube Netanyahu, como fez com Bennett no passado. Pesquisas indicam, entretanto, que sem o apoio de parlamentares árabes, dificilmente os políticos conseguirão formar governo se vencerem o pleito. Lapid afirmou que sua cooperação anterior com Mansour Abbas, responsável por quebrar um tabu histórico em 2021, foi “o governo adequado para aquele momento”, mas disse que a situação atual de Israel é muito diferente após quase três anos de guerras e que ele e Bennett não formarão coalizão com o partido de Abbas nas próximas eleições.
Líder da oposição de Israel diz que proposta de acordo dos EUA com o Irã é ‘ruim para a região’
Para Yair Lapid, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu não exerceu influência o suficiente para conseguir que objetivos do país fossem alcançados










