Série de reportagens mostra quem são os criminosos que ditam a violência do tráfico, das milícias, dos bandos de matadores de aluguel e do jogo do bicho, que aterrorizam o Rio Márcio Nepomuceno, o Marcinho VP do Complexo do Alemão, em 2007 — Foto: Salvador Scofano RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 24/05/2026 - 20:55 Marcinho VP: Líder do Comando Vermelho mesmo atrás das grades Marcinho VP, mesmo preso há 19 anos, é considerado pela polícia como a liderança máxima do Comando Vermelho, facção criminosa que se expandiu por 25 estados e o Distrito Federal. Investigações apontam que ele continua a comandar a organização através de intermediários, gerenciando recursos e definindo estratégias, apesar de estar em uma unidade de segurança máxima. Recentemente, foi alvo de uma operação que revelou a lavagem de dinheiro ligada à sua família. Sua defesa alega que as comunicações são monitoradas e nega as acusações. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A estrutura do Comando Vermelho extrapolou os limites do estado de origem e hoje se tornou um objeto de combate nacional. Depois de crescer e se espalhar por 25 estados e o Distrito Federal, a facção continua em processo de expansão, trabalhando num sistema de franquias e mudando o cenário de cidades inteiras, com uma realidade que antes era de poucos territórios. Por trás dessas movimentações, há uma cadeia de comando que passa por funções que vão de sintonia — advogados que repassam informações entre traficantes — aos presidentes de conselho, que definem os rumos que serão tomados pelo grupo. Márcio dos Santos Nepomuceno, o Marcinho VP, continua sendo apontado pela polícia como o chefe máximo do Comando Vermelho, mesmo preso em uma unidade de segurança máxima há 19 anos. Apesar de todo esse tempo atrás das grades, consta em investigações da polícia do Rio que ele segue ditando os rumos da facção por meio de intermediários, como advogados e familiares. De acordo com os policiais, ele usa o contato com essas pessoas para transmitir ordens aos chefes da facção nas ruas e também nos presídios estaduais. Ele também controla a hierarquia do grupo mesmo preso, definindo quem assume o comando de comunidades, quem será rebaixado e para onde vão os recursos da “caixinha”, entre outras decisões. Marcinho VP segue como liderança do CV mesmo preso em segurança máxima Lavagem de dinheiro em família No mês passado, Marcinho VP foi alvo de uma operação da Polícia Civil que mirava o braço financeiro do Comando Vermelho. Durante as investigações, os policiais rastrearam uma série de imóveis suspeitos que tinham ligação com a família do traficante, entre eles duas fazendas e uma mansão avaliada em cerca de R$ 10 milhões. A polícia afirmou que os dados obtidos no inquérito demonstram que Marcinho continua sendo o cabeça da facção e que ele atua organizando e administrando a lavagem de dinheiro do grupo criminoso. A investigação durou cerca de um ano e teve como base a análise de dados extraídos de dispositivos eletrônicos apreendidos. As conversas, de acordo com a Polícia Civil, reforçam a influência de Marcinho VP como nome central da facção, mesmo cumprindo pena no presídio federal de Campo Grande (MS). Desde 2007, Marcinho fica em unidades federais. Com todo esse tempo atrás das grades, ele já viveu mais tempo preso do que em liberdade. Ele foi detido em 1996, há 30 anos. Enquanto foi chefe do Complexo do Alemão, Marcinho era apontado como um gerente frio, que fazia constantes demonstrações de força e crueldade. Em 1994, após um racha no CV, ele chefiou o chamado Comando Vermelho Jovem, uma dissidência da facção que surgiu após a morte do então chefe do grupo, Orlando Jogador, que fora traído pelo braço direito. A defesa de Márcio dos Santos Nepomuceno, o Marcinho VP, afirmou que todas as visitas com advogados e parentes são gravadas e monitoradas em tempo real pela direção da penitenciária e pelo setor de inteligência do Senapen. "As correspondências seguem o mesmo rigoroso controle. Desse modo, para que fosse verdade que ele se comunicasse seria necessário que agentes federais, diretores das penitenciárias e autoridades do Ministério da Justiça estivessem praticando crime de prevaricação ou de organização criminosa. O uso de seu nome como folheto eleitoreiro por parte de quem não tem nenhum compromisso com a verdade e com o devido processo legal, se utilizando do direito penal do inimigo como moeda de troca nas eleições de outubro é a repetição de uma estratégia perversa que o mantém como preso político há trinta anos. A defesa segue segura de que pela décima oitava vez provará sua inocência."